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3 razões apontam 2022 como o ano da virada no ensino superior

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Existem pelo menos três fatores que farão de 2022 um ano histórico no ensino superior brasileiro. O primeiro será a oferta do curso de Direito EaD, inédito no sistema federal de ensino. O segundo marco será a consolidação do ensino híbrido. Por fim, a curricularização da extensão: regra em vigor a partir do ano que vem – e que reserva 10% da carga horária total das graduações para atividades práticas e com impacto direto na sociedade.

Para mostrar como as IES podem se inserir nessa nova realidade ocorreu na quarta-feira (27), durante o primeiro dia do 23° FNESP, uma sessão virtual com Gustavo Hoffmann, consultor da Plataforma A, e Wagner Sanchez, pró-reitor acadêmico da FIAP. A live foi moderada por Alexandre Mori, gerente de financiamentos do Semesp.

EaD deve superar Direito presencial

No encontro, Hoffmann apresentou um gráfico com a evolução das matrículas EaD em cursos de Educação e Negócios. Nos últimos anos, a modalidade virtual foi ocupando o espaço do presencial, superando-a e indo além. “Esse mesmo movimento deve se repetir no Direito”, afirmou Hoffmann, fellow pela Universidade Harvard (LASPAU) onde estudou metodologias ativas de aprendizagem, ensino híbrido e sala de aula invertida.

Evolução das matrículas EAD nas áreas de Educação e Negócios. Crédito: reprodução/Fnesp.

Pesquisas indicam que o Direito EaD deverá aquecer a captação de alunos em 2022. A modalidade virtual do curso é uma antiga demanda dos alunos e das instituições de ensino, mas nunca foi adiante por pressão de entidades do setor jurídico. Segundo Hoffmann, o curso será híbrido e, “se bem modelado e posicionado, terá excelente aceitação” no mercado.

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Ensino híbrido consolidado

O que se viu em março de 2020 foi uma virada de chave para o ensino remoto numa velocidade maior do que a capacidade da IES de atender as necessidades dos alunos. Aos poucos as coisas foram se ajeitando. Agora que a presencialidade está de volta, porém, os estudantes já não pensam no modelo 100% presencial.

“Seria um grande retrocesso retomar o velho modelo analógico pré-pandemia”, reconhece Gustavo Hoffmann.

À medida que o vírus diminui, a adesão e a profissionalização do ensino híbrido cresce nas IES. Mas é preciso saber separar as coisas. Isto é, definir estrategicamente o que é presencial e virtual – e, aqui, o que é síncrono e assíncrono.

Trecho de apresentação de Gustavo Hoffmann no Fnesp. Crédito: reprodução/Fnesp.

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Curricularização da extensão: ensino prático

Durante a apresentação, Gustavo Hoffmann citou estudos realizados no Brasil e no exterior para defender um novo paradigma no ensino superior em 2022. “As pesquisas mostram que existe um abismo entre as competências desenvolvidas na academia e as reais demandas do setor produtivo”, disse o consultor da Plataforma A.

Uma das pesquisas, realizada pela Gallup e publicada no Inside Higher Ed, apontou que apenas 11% dos líderes e executivos empresariais consideram a formação universitária adequada. Enquanto isso, 96% dos gestores acadêmicos acreditam que oferecem uma formação competitiva aos alunos. Percebe-se o mesmo gap no Brasil, embora em proporção menor, segundo recente estudo da Educa Insights.

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Segundo Hoffmann, no atual mundo VUCA, parece fazer muito mais sentido um modelo just in time do que o tradicional just in case. Ou seja, uma educação mais baseada em situações-problema do que em exposição de conteúdo. É aqui que entra a curricularização da extensão. “O CNE deu um empurrãozinho para aproximar a academia do mercado de trabalho”, disse o especialista.

Em 2018, o Conselho Nacional de Educação definiu um percentual mínimo da carga horária total dos cursos deve ser destinada a atividades de extensão. O parecer 498/2020 deu prazo até 18 de dezembro de 2022 para a reorganização dos currículos. A implementação será feita a partir de janeiro de 2023.

A extensão mira dois objetivos principais. Além de estimular a formação integral do aluno como cidadão crítico e responsável – por meio de atividades práticas e, preferencialmente, interdisciplinares (via projetos integradores) –, promove a transformação da realidade social que cerca as instituições. Os atores parceiros incluem empresas, instituições sociais e a comunidade em geral.

“Não existe receita de bolo, nem para cursos, nem pra disciplinas”, afirmou Hoffmann. Sua sugestão é que as disciplinas sejam híbridas, criadas com base em evindências, não em feeling. Além de aproximar a academia do mercado de trabalho, a curricularização da extensão pode ter um impacto positivo na saúde financeira das faculdades – gerando até 50% de economia por disciplina.

Ao fim do encontro no FNESP, o pró-reitor acadêmico da FIAP reforçou que os jovens estão mais preocupados com a jornada educacional, e não apenas com o diploma. “Vimos isso nas Olimpíadas. Na ginástica, no skate, os atletas não pensavam só na medalha. No ensino superior, o diploma segue importante, mas não é tudo. É preciso desenvolver experiências acadêmicas que atendam a expectativa das novas gerações”, concluiu Wagner Sanchez.

O 23° FNESP (realizado no formato híbrido, com palestras presenciais e virtuais) continua até sexta-feira (29). Confira a programação completa.

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Leonardo Pujol
Leonardo Pujol é jornalista e editor do Desafios da Educação. Também é sócio-diretor da República – Agência de Conteúdo, onde colabora para a revista Superinteressante, Piauí, BBC Brasil e HSM Management.

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