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Um levantamento realizado com base em documentos e notícias locais de 19 países e regiões mostrou que, na maior parte das localidades pesquisadas, optou-se pela aprovação automática dos alunos em 2020.

Entre os países que fizeram esta escolha estão Itália, Espanha, Bolívia, Nigéria, Paquistão e a Carolina do Norte (EUA). As razões para a aprovação automática incluem dificuldades dos estudantes no acesso ao ensino remoto, tentativas de evitar a evasão escolar e a situação emocional dos alunos, que ficou mais frágil neste ano, segundo o Nexo Jornal.

Mesmo assim, a aprovação automática variou entre os países. Enquanto alguns a admitiram para todos os estudantes, outros optaram por usá-la em etapas específicas de ensino – como no Peru e nas cidades americanas de Chicago e Nova York, que chegou a ser epicentro da pandemia durante meses e citou a situação emocional fragilizada dos alunos como justificativa para a aprovação automática.

Nas Filipinas, um decreto proibiu a aprovação geral.

Algumas regiões mantiveram a avaliação do alunado, mas com adaptações em decorrência da crise sanitária – caso de Alemanha, África do Sul, Quebec (Canadá), Peru, Singapura, Chicago e Nova Iorque.

A informação é do estudo Aprovar ou reprovar: a pandemia e o dilema das redes de ensino ao redor do mundo, divulgado em outubro pela consultoria Vozes da Educação a pedido do Instituto Unibanco.

Leia mais: Nivelamento mede aprendizagem de aluno durante pandemia

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Pais e professores podem (e devem) tranquilizar os estudantes, diminuindo o estresse que antecede as provas. Crédito: Marcos Santos/USP Imagens.

O novo contexto da avaliação

A pandemia fez com que a maior parte dos países adotasse o ensino remoto, modalidade que muitos estudantes consideram difícil de acompanhar por diferentes motivos. Entre eles, acesso à internet, falta de ambiente adequado para estudos em casa, perda frequente de concentração e necessidade de trabalhar na crise.

Por isso a aprovação automática vinha sendo defendida por parte dos especialistas em educação. Segundo eles, avaliações e reprovações convencionais podem punir os alunos mais vulneráveis na pandemia.

plataforma de avaliação

Foi esse o argumento da Itália. O governo italiano afirmou que não é possível confirmar se todos os alunos tiveram as mesmas condições de acesso ao ensino remoto e considerou que não seria justo fazer avaliações convencionais.

Os que são contra a aprovação automática na pandemia propõem, no lugar, que as escolas façam reposição de aulas, reforço escolar e atividades complementares para avaliar o desempenho dos estudantes durante a crise. É o que faz Singapura: não optou pela aprovação geral, mas criou novas avaliações para atividades extracurriculares.

Leia mais: A escola pode reprovar uma criança resistente à aula online?

E no Brasil?

Em 1918, durante a pandemia da gripe espanhola, as escolas aprovaram todos os alunos no Brasil. Mas na grande pandemia de 2020 foi diferente.

Reabertura das escolas na Europa: especialistas em saúde não classificaram o aumento de ocorrências como uma segunda onda do coronavírus. Crédito: Gregor Fischer/Reprodução.

Há uma resolução do CNE (Conselho Nacional de Educação, órgão vinculado ao MEC) que apenas recomenda redes de ensino e colégios de todo o Brasil a evitar um aumento da reprovação de estudantes.

O documento pede que as escolas revejam seus métodos avaliativos, incluindo não dar faltas aos estudantes no período de pandemia por conta da dificuldade de checar a presença de alunos nas aulas remotas. No fim, a decisão cabe às escolas ou redes de ensino, tanto públicas — nos municípios, estados e no governo federal — quanto particulares.

“O justo seria, mesmo, não reprovar aluno de série alguma, em função deste tempo tão difícil que estamos passando. Assim tem sido em muitos países”, disse Lourdes Atié ao portal Desafios da Educação.

O parecer do CNE também autorizou a fusão dos anos letivos de 2020 e de 2021 para evitar o aumento de reprovação e, talvez, superar possíveis lacunas de aprendizagem, segundo o Nexo Jornal.

Leia mais: FAQ: dúvidas sobre a matrícula escolar em 2021? Temos algumas respostas

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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