Tecnologia Educacional

AVA gratuito: prós, contras e como funciona na prática

0

Há opções de AVA gratuito, claro. Mas não se engane: ele exige investimento em infraestrutura e equipe de TI, o que torna a versão paga mais vantajosa e segura para as IES

O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) – mais conhecido em inglês como Learning Management System (LMS) – funciona como o campus de uma universidade. Só que numa plataforma on-line. No AVA, o aluno encontra conteúdo, acesso a diferentes salas de aula, faz avaliações, interage com professores, tutores e colegas e até acessa práticas laboratoriais.

Essa comparação basta para dimensionar a importância do AVA na educação atual.

Acontece que a possibilidade de oferta de 40% da carga horária a distância em graduações presenciais, bem como o avanço dos cursos híbridos – acelerado pela pandemia –, tornou o AVA indispensável, seja qual for a modalidade de ensino.

Existem AVAs gratuitos. O Moodle é o mais popular deles. Mas o mercado privado tem oferecido um leque cada vez mais arrojado e competitivo de ambientes virtuais de aprendizagem. A escolha do LMS mais adequado à instituição inevitavelmente coloca os gestores diante de uma dúvida crucial: vale a pena pagar por um AVA?

AVA gratuito: prós e contras do Moodle 

A versão gratuita mais famosa no mercado conta, atualmente, com cerca de 260 milhões de usuários em 241 países. Entram nesse cálculo universidades públicas e privadas, escolas de idioma e centros de treinamento corporativo. Não por acaso, o Moodle costuma ser considerado um ambiente virtual sólido e confiável. No Brasil, é utilizado por instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade de Brasília (UnB).

Além de ser um AVA gratuito, o Moodle é um software de código aberto. Isso significa que as instituições de ensino podem desenvolver, adicionar, estender ou modificar recursos da plataforma através de alterações em sua programação. Tudo sem a preocupação de infringir contratos ou políticas de software.

Leia mais: Educação 4.0: como encontrar o LMS perfeito

Embora não seja necessário pagar uma licença para utilizar o programa, a instalação e a operação do Moodle exigem investimentos. Por exemplo, a instituição que utilizá-la profissionalmente precisará adquirir uma estrutura de hardware ou espaço em servidores de nuvem para armazenar os dados de uso da plataforma. Em caso de aumento no número de cursos ou usuários, sempre haverá necessidade de expansão desse espaço de armazenamento.

A execução eficaz e segura do Moodle ainda exige a contratação de uma equipe qualificada de Tecnologia da Informação (TI). Um time básico para a área costuma incluir um administrador sênior, um administrador de banco de dados e um assistente e um analista de suporte. Entre salários e impostos, o custo médio anual com a equipe de TI dedicada ao Moodle chega aos R$ 175 mil anuais.

Leia mais: Ferramentas virtuais são a melhor forma de influenciar os estudantes em 2021

Por que um LMS pago pode ser mais vantajoso

É interessante saber que existem opções de AVA pagos e inclusive de código aberto, como o Open LMS. Aqui, o software é fornecido por uma empresa privada. Cabe ao fornecedor prestar suporte de instalação, atualização e manutenção para manter o AVA em pleno funcionamento.

Aqui, a instituição de ensino arca apenas com o pagamento anual do licenciamento do software. Esse custo varia conforme o AVA, mas estimativas do mercado apontam que o valor seja menos da metade do que o investimento em infraestrutura e equipe que o Moodle exige.

Ou seja, a depender do porte e das necessidades da instituição, vale a pena pagar por um AVA, sim. Isso levando em conta apenas o lado financeiro e apesar do Moodle ser uma plataforma gratuita. Afinal, o AVA pago elimina custos com pessoal e espaço para armazenamento de dados. Fica a cargo da empresa fornecedora a resolução de problemas técnicos, atualizações e atendimento de suporte.

Acima de tudo, um AVA pago promete uma experiência do usuário melhor – para gestores, professores e alunos. Os gestores recebem relatórios completos e automatizados sobre o progresso dos alunos, algo essencial no controle da evasão e na tomada de decisões pedagógicas baseadas em dados. O mesmo vale para tutores e professores que, em painéis simples, monitoram as atividades do curso e o desempenho de cada estudante.

lms vs moodle ava

Para os usuários finais – alunos acostumados com os sites modernos –, a aparência desatualizada do Moodle pode ser frustrante. A título de comparação, o Open LMS deixa o ambiente com a identidade da instituição. O tema responsivo se adapta a todos os dispositivos e plataformas de acesso – celular, tablet, computador –, além de agregar o acesso via aplicativo.

Leia mais: Como a integração de tecnologias está revolucionando a EAD

Segurança em primeiro lugar

A segurança pode ser mais um ponto a favor de um AVA pago. Um relatório da consultoria Kaspersky mostrou que a migração para o ensino remoto devido à pandemia deixou as instituições de ensino suscetíveis aos crimes cibernéticos. Entre janeiro e junho do ano passado, houve um aumento de 350% nos ataques de hackers contra plataformas de e-learning e conferência online, como Moodle, Zoom e Google Meet. O número de usuários atacados por malwares disfarçados de aplicativos de conferência ou de EAD subiu 20.000% no período.

Plataformas gratuitas são mais vulneráveis em casos de falha ou exposição de dados. As IES que utilizam AVA gratuito, por exemplo, costumam realizar backups do banco de dados apenas uma vez ao dia. Qualquer percalço pode levar, portanto, à perda de informações de 24 horas de trabalho no ambiente virtual de aprendizagem.

Por outro lado, um AVA pago de alta qualidade utiliza um sistema de replicação de dados em tempo real. Quer dizer que as informações da instituição e dos usuários são salvas a todo momento, reduzindo os riscos. Além disso, as empresas assumem os investimentos para aprimorar constantemente os níveis de segurança do software.

Leia mais: As vantagens dos laboratórios virtuais nas graduação de saúde EAD

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

    VOCÊ PODE GOSTAR

    Comentários

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.