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Como ensinar sobre o sistema solar no ensino fundamental? Deixe a aula com os estudantes

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Protagonismo infantil: projeto “Cadeira do Conhecimento” incentiva alunos a dividir tema de preferência com colegas. Crédito: divulgação.

A missão era a seguinte: cada criança ficaria responsável por preparar uma aula sobre um tema de sua preferência e apresentar para os colegas. Ao escutar as orientações da professora do 1° ano do Ensino Fundamental, Francisco Gael, de 6 anos, não teve dúvidas: falaria sobre o sistema solar. “Acho muito bacana saber umas coisas antigas, como quem pisou antes no espaço ou qual foi o primeiro planeta a ser visto”, explica o aluno do Colégio Franciscano Pio XII, em São Paulo.

No correr dos dias, o garoto mobilizou os pais em torno da tarefa. Estudou sobre o tema, planejou uma maquete, foi atrás dos materiais necessários e meteu mão na massa. “Coloquei todos os planetas do sistema solar”, ele conta, “menos um, porque Plutão não é mais planeta.”

No grande dia, o pequeno Chico estava devidamente preparado. Para não esquecer de nada, anotou o script da aula em uma folha de papel. Sua apresentação foi um sucesso.

O aluno no processo de aprendizagem

A atividade acima é o cerne do projeto “Cadeira do Conhecimento”, que busca tornar o processo de aprendizagem da escola paulista mais interessante, envolvente e efetivo. O que parece ser uma ótima ideia – principalmente quando o assunto é educação fundamental I.

O projeto estimula a busca por conhecimento e faz com que os alunos aprendam uns com os outros, conversando sobre temas de interesse mútuo. Chico, por exemplo, não só ensinou sobre o sistema solar como aprendeu sobre corpo humano, dinossauros, tubarões, múmias, bonecas e alimentação saudável.

Leia mais: “Função do professor não é ditar pensamento, mas ensinar a pensar”

Envolver a criança no processo de aprendizagem é benéfico também por empoderar o estudante. A ação incentiva a exploração da melhor forma individual de pensar e aprender – seja escrevendo ou assistindo vídeos, por exemplo. Por fim, possibilita a demonstração de conhecimento por meio de diferentes estratégias.

Renata Weffort, que é coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental I do Franciscano Pio XII, ressalta a importância da criança vivenciar desde a escolha do tema até a preparação da apresentação. “Assim, validamos sua dedicação na produção da atividade e ela experimenta as possibilidades de ser protagonista do próprio aprendizado”, afirma.

Chico, por exemplo, sentiu que suas descobertas foram valorizadas pelos colegas. Percebeu isso ao ser alvo de várias perguntas da turma – e embora não soubesse todas as respostas, esta foi a parte de que o garoto mais gostou: “Eu tive que pensar um pouquinho antes de responder. Era muito difícil, foi bastante desafiador”.

Atividades que utilizam metodologias ativas, como é o caso da “Cadeira do Conhecimento”, podem ser postas em prática tanto nas aulas remotas quanto nas presenciais, no ensino fundamental ou médio.

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O papel da arte na educação infantil

Como se percebe, a escola não é um ambiente apenas para o ensino teórico. Também serve para o desenvolvimento de habilidades. Ao construir uma maquete do sistema solar, por exemplo, Chico utilizou a sua imaginação e explorou suas capacidades artísticas, pintando as bolas de isopor que representaram os planetas e as dispondo com a ajuda de palitos.

Não à toa, a arte é um componente curricular obrigatório na nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A disciplina auxilia no desenvolvimento humanístico dos alunos e estimula a criatividade.

A partir desse entendimento, o professor pode propor a criação de desenhos, bonecos, teatros, entre outras produções. Mas o processo não pode tolher a liberdade do aluno nem envolver a comparação de trabalhos.

É o que afirma um estudo sobre a contribuição da arte em uma turma de crianças com seis anos de idade. A experiência se deu em uma escola de Minas Gerais e analisou o impacto da criação de um boneco de argila inspirado na história do “Bonequinho Doce”, da autora Alaíde Lisboa de Oliveira.

A pesquisadora percebeu que os alunos se interessaram pela exploração de um material novo e cada um escolheu um aspecto diferente para observar naquele momento. Inspirando-se nas ilustrações do livro, moldaram a argila com formas do corpo humano e, assim, desenvolveram coordenação motora e autoconfiança.

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Redação Pátio
A redação da Pátio – Revista Pedagógica é formada por jornalistas do portal Desafios da Educação e educadores das áreas de ensino infantil, fundamental e médio.

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