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Capes rejeita todas as propostas de mestrado EAD

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Sede da Capes: entidade rejeita todas as 17 propostas de mestrado EAD submetidas à análise. Créditos: divulgação.

Dois anos depois de uma portaria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) permitir a oferta de mestrado a distância, nenhum curso dessa modalidade conseguiu aval para funcionar no Brasil. As primeiras 17 propostas de curso submetidas à avaliação foram rejeitadas pela entidade.

Segundo a Capes, os pedidos foram indeferidos por não atenderem as orientações dos documentos normativos referentes à entrada de novos cursos no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) – portaria 33/2019, publicada como portaria 32/2019 – e à modalidade EAD, da portaria 90/2019.

As propostas incluíam nove cursos da área de humanas, cinco multidisciplinares, dois de ciências da vida e um de exatas – de instituições que pertencem a diferentes grupos de ensino, como Yduqs (antiga Estácio), Cruzeiro do Sul e Ser Educacional. Entre os pleitos rejeitados estão um mestrado a distância em Administração, da Universidade da Amazônia (Unama) – pertencente à Ser –, e outro em Estudos da Linguagem, da universidade Cruzeiro do Sul.

As instituições de ensino não podem mais recorrer da decisão, apurou o Desafios da Educação. Procuradas pela reportagem, as empresas se recusaram a comentar.

Os mestrados a distância rejeitados estavam em análise desde agosto de 2019, quando foi encerrado o edital para Avaliação de Propostas de Cursos Novos (APCN). Na ocasião, apenas a abertura de mestrado foi permita – pois a criação de doutorados a distância só será liberada após a primeira avaliação dos mestrados.

Em 2020, devido à pandemia, não houve abertura de prazo para submissão de APCN. Até a publicação deste texto, a Capes não tinha previsão de data ao novo edital.

Leia mais: As principais tendências para a educação em 2021

A oferta de pós-graduação stricto sensu (que engloba mestrado e doutorado) a distância está regulamentada desde dezembro de 2018. Antes da decisão, as universidades só podiam oferecer pós-graduação online lato sensu, que engloba especializações e MBAs.

Desde então, a possibilidade de fazer um mestrado a distância despertou grande interesse de possíveis alunos e gestores de universidades. É que, entre as vantagens do modelo, está a descentralização dos cursos – atualmente, concentrados nas regiões Sul e Sudeste. A oferta pode permitir que um mestrado chegue a locais remotos, diminuindo a necessidade de deslocamento, os custos e a permanência dos estudantes nos grandes centros.

Também é uma oportunidade para quem trabalha e não consegue frequentar cursos presenciais em horários tradicionais.

A Capes entende ainda que os cursos de mestrado EAD ajudarão na formação continuada de professores, melhorando a qualidade do ensino básico no país.

Leia mais: Educação continuada e EAD: uma união perfeita no pós-pandemia

A questão é que a portaria que regulamentava a EAD para mestrados e doutorados foi aprovada “de uma maneira pouco debatida”, segundo a historiadora Flávia Calé, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

“A reação da comunidade acadêmica foi muito forte, inclusive entre os próprios membros do Conselho Superior e do Conselho Técnico Científico, dos quais a ANPG faz parte. Com a pressão de todas as entidades e da comunidade acadêmica, a Capes deu um passo atrás e não implementou a portaria, o que na prática não aprova nenhuma APCN de cursos em EAD.”

Flávia Calé, presidente da ANPG.

Calé espera que as próximas decisões sobre cursos de mestrado e doutorado EAD sejam tomadas em comunhão com a comunidade acadêmica e que as próximas portarias “sejam feitas com a clareza necessária que esse importante tema exige.”

Recentemente, em 7 de janeiro, a Capes publicou os requisitos para autorizar o funcionamento dos polos de educação a distância (EAD) voltados à pós-graduação stricto sensu. (No Brasil, graduações e pós EAD precisam realizar algumas atividades presenciais em ambientes credenciados, seja na sede ou em um polo da universidade.)

“A nova portaria vem para trazer segurança jurídica e formalizar as características necessárias de espaços físicos para PPGs (programas de pós-graduação) na modalidade EAD”, explicou em nota Benedito Aguiar, presidente da Capes. O documento regulamenta o artigo 8º da Portaria nº 90/2019, que estabelece regras gerais para PPGs na modalidade EAD.

Quanto aos cursos que deverão utilizar esses espaços, será preciso esperar um pouco mais.

Leonardo Pujol
Leonardo Pujol é jornalista e editor do Desafios da Educação. Também é sócio-diretor da República – Agência de Conteúdo, onde colabora para a revista Superinteressante, Piauí, BBC Brasil e HSM Management.

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23 Comentários

  1. Que bom
    Ao menos um pouco de sensatez no desgoverno…

  2. De fato, o diploma pelo diploma é só um papel. Mas o diploma como consequência de um longo período de pesquisa (que não é fácil) é um marco simbólico da conquista, que atesta a competência do indivíduo naquele programa de estudo.

    Sim, papel por papel não garante nada, mas certos “papeis” atestam uma capacidades diferenciada. A trajetória para conseguir tal papel de mestrado e doutorado é árdua.

    A propósito, recomendo ter cuidado com análises simplistas e reducionistas, como a que você fez. Se você tivesse ideia da quantidade de doutores envolvidos no desenvolvimento dessa tecnologia que você está utilizando para ler esse texto… dos pesquisadores da vacina… os professores de todos os professores que tu teve na vida… entre outros incontáveis exemplos, pensaria bem a respeito antes de falar sobre utilidade.

    Respeite e valorize a ciência. Ela existe para o bem de todos e busca nos tirar da ignorância.

  3. infelizmente né. quem mora no interior do Pará e trabalha para uma gestão que não incentiva a formação continuada, era tudo o que eles queriam!

    1. Compartilho do mesmo pensamento, também estou no interior do imenso Pará e aqui temos muitas dificuldades com gestão. Estava ansioso pela abertura dos mestrados EaD pois vislumbro nessa nova ferramenta uma oportunidade de realizar minha pesquisa e consequente evoluir na carreira.

    2. Concordo plenamente nós do interior de Pará
      Estudar e em busca de um mestrado

  4. Não faz muito sentido, pois com a pandemia todos os mestrados ficaram on line, e nem estavam preparados para isso…

    1. Muito triste. Um mundo globalizado e a educação sendo restrita a feudos.

      1. Acho que seria melhor trocar o termo educação para “oportunidades de negócio em educação”.

      2. Concordo com as suas palavras, os que não querem um mestrado EAD, ainda vivem no período colônia. Alias, conheço muitos doutores e mestres, que sequer sabem a diferença entre indústria 4.0 e internet das coisas, isto que fizeram presencial?. A educação não esta voltada para a presença em sala, mas para o empenho do acadêmico nos estudos.

  5. Muito triste…quero me especializar e não consigo fazer um mestrado por morar em uma região distante. Aah espera de um mestrado😔

  6. Espero que logo em seguida comecem as aprovações para os mestrados EAD, mesmo que tenha alguns encontros por semestre. Também moro em uma região onde não há oferta de mestrados para minha área.

  7. O mundo todo capacitando e o Brasil dessa forma

  8. O mestrado EAD é uma necessidade, moro no norte do Brasil, interior de Rondônia e fica impossível no momento me descolar para outra cidade ou estado para fazer o mestrado. Mas é muito importante que o mestrado EAD oferecido seja de qualidade.

  9. Os que não querem um mestrado EAD, ainda vivem no período colônia. ou seja grupo elitizado, o pobre que mora no interior, tem internet não pode fazer o mestrado. Nestes comentários postados aqui, identifica-se que no século XXI, com a expansão da internet e computadores, assim com a expansão do EAD ainda não trouxe discernimento a muitos. Alias, conheço muitos doutores e mestres, que sequer sabem a diferença entre indústria 4.0 e internet das coisas, isto que fizeram presencial. A educação não esta voltada para a presença em sala, mas para o empenho do acadêmico nos estudos.

    1. Caro Paulo, compreendo sua indicação quanto ao caso.. Mas é preciso compreender que, um mestrado e um doutorado exigem muito além que aulas. Se desenvolvem pesquisas. Para desenvolver diversas pesquisas, se faz necessário o uso de grupos de estudos, laboratórios, trocas diárias entre colegas e o orientador.

      Muitas pesquisas são desenvolvidas com diversos agentes, em que cada um desempenha papéis constantes juntos. Não se trata de uma especialização somente.

      Para se obter uma formação de excelência, as diversas trocas são extremamente necessárias. Não basta um EAD para tal. É preciso zelar com a formação de pesquisadores no Brasil. Não se trata de uma educação bancária, em que tudo é feito pela troca do diploma.

      Imagina a realização de pesquisas em áreas que seja necessário o uso de diversos experimentos sendo feita a distância? Ou semi-presencial? Além do mais, os entraves do EAD, se aparecem também como uma ferramenta de cortes de recursos das Universidades (o qual já existe e são inseridos com frequência), visto a alegação em que se tudo é feito on-line, para que o investimento?

      Infelizmente, uma Pós-graduação exige muito rigor e dedicação. A covid-19 já tem apontado diversos danos ao ensino e ao desenvolvimento de pesquisas. Uma emergência não deve ser colocada como uma opção viável.

      E afins de esclarecimentos, eu também sou de uma região distante de universidades. Sou de uma cidade de Goiás com 1000 habitantes e tive que migrar para o sudeste para alcançar os estudos. É preciso lutar para que o ensino seja de qualidade, e que as bolsas sejam ajustadas. Mestrado e Doutorado são mais do que o simples estudo. Mestrado e doutorado são trabalhos! E a pesquisa brasileira não deve ser colocada em riscos como os tais.

  10. Terceiro mundo é assim mesmo. Primeiro demora-se anos para se iniciar uma discussão a respeito de algo já praticado pelos países desenvolvidos há muito tempo. Quando finalmente se regulamenta a existência do mestrado a distância — não sem uma tonelada e meia de “requisitos básicos” como parte da nossa tão criticada e conhecida burocracia–, rejeita-se TODAS as propostas apresentadas pelas universidades. Parabéns e viva o atraso nosso de cada dia!

  11. A comunidade acadêmica (de playboyzinhos de universidades públicas sustentados pelos pais ou por bolsa do governo mais seus professores e orientadores velhos que se formaram nos anos 70 e 80 e têm aversão a qualquer inovação educacional) pressionaram a CAPES a não aceitar nenhum programa.
    É né, infelizmente o único jeito de fazer mestrado para quem mora longe de alguma universidade é abandonar o emprego (quem tem) e migrar para alguma cidade estudar dependendo de bolsa do governo (que são escassas e dependem muito mais de apadrinhamento no processo seletivo do que mérito).

  12. Não deveria nem ter essas faculdades ruins como a Cruzeiro do Sul e derivadas. Na cruzeiro do sul, o cara faz matricula, nao assiste aula, copia e cola tudo do brainly e sai com um diploma.
    Venda autorizada de diploma.
    Se é pra ter curso online, que seja com qualidade e não um consórcio de diplomas.

  13. Só vi mimimi e reclamação…. Tem que barrar mesmo. Nesses últimos anos o monte de curso em EAD de m….. que se multiplicou, sem qualidade e preparo nenhum, e os alunos achando que fazem vantagem, mas a maioria só quer o diploma e não sabe p… nenhuma…kkkkk Barra mesmo. O choro é livre….

  14. Pessoal, moro em Brasília – DF, aqui na capital todos os mestrados que antes eram presenciais estão na modalidade remoto, aqui ninguém parou de estudar e conforme as necessidades foram aparecendo com a pandemia, aqui na capital tudo foi modelizado, resolvido e vida seguindo, a questão que temos que nos perguntar é de qual o motivo de nós da capital termos esses ensino e vocês ai do interior não.
    Não vamos as aulas presenciais, não temos encontros presenciais, tudo o que precisamos é estarmos conectados com a internet.
    Inclusive muitas senão todas as Universidades daqui usam o Google Meet para dar suas aulas, seja a universidade particular ou a Pública como a UNB no nosso caso.

    1. Aula remota é diferente de E A D. Aula remota é uma aula presencial ministrada virtualmente. No E A D o curso é todo ele estruturado para ser rodado assim, e tem uma abordagem diferente.
      O grande problema é quando o aluno quer fazer um EAD com o pensamento voltado para o formato presencial. Presencial o aluno aprende a ser ensinado; No EAD ele aprende a aprender, buscar, ir atrás.

  15. Mestrado não é especialização, o objetivo do mestrado não é conceder um diploma pras pessoas ganharem um salário um pouco maior. Por mais que aulas , seminários e mesas possam ser feitos por vídeo elas não tem horário flexível, fora isso se usa muito o laboratório.

  16. Acredito que a premissa deveria estar voltada ao desenvolvimento humano, como pessoa, o intuito deveria ser proporcionar conhecimento!
    Frequentar a entediante sala de aula chega ser, resquício de outrora, onde o custo de idas e vindas, alimentação e aglomeração neste momento 31/05/2021 não condiz com a evolução!
    Poucos Barões, querem o retrocesso, e ter elitizado o conhecimento, oportunidade pra poucos!
    Tem países que o EAD funciona muito bem!
    O brasil como sempre, não só negligenciado como seguro, no quesito a proporcionar conhecimento a quem se faz querer.
    Os métodos ortodoxos, retrogrado; poderia dar lugar a uma ferramenta democrática, prática, desenvolvida para todos, a quem quer estudar!
    Em plena pandemia o sistema ortodoxo, retrogrado de levar o aluno pra estudar em polos, podendo ser vitima de adversidade no cotidiano de ir a instituição.
    A sala de aula poderia ser virtual em qualquer local; quem quer estudar, vai estudar!
    Tem varias especializações que gostaria de fazer, mas tenho que deixar segurança do meu lar, cidade, estado ou até país se quiser estudar, Um absurdo!
    Mas quem segura a roda do progresso o faz por temer ter nação conhecedora!
    Será muito bom mesmo, poder estudar onde estiver, no sertão, na cidade, no vilarejo, na comunidade, no sítio, na fazenda, embarcado, seja rios ou mar ou ilhas; onde você estiver!
    Por isso acredito que um dia, o espirito da evolução proporcionará isto!
    Estudar em sala de aula, não faz menor quem estuda e muito por EAD, para ter reconhecido seu esforço e agregar conhecimento!
    Sou louco por agronomia, ambiental, Recursos Hídrico, Geologia entre outros; além de estar o valor que não posso pagar, mesmo que pagasse, comprometeria, minha simples subsistência em casa ou na rua, Uma Universidade que me deixa a sonhar e me emociono, uma dela é a Esalq sp, mas não posso mudar para são Paulo, nem mesmo para outro local. Enfim um cara negligenciado, quando criança veio terminar segundo grau 2015 e graduar 2020 e pôs graduar em 2021, agora mestrado ou doutorado paro ate meus senhores decidir o que é melhor pra mim, sendo que já sei o que bem seria melhor. Isso tudo consegui com quase 40 anos e agora com 45, paro e aguardo.
    Neste maravilhoso pais que tem tudo para ser o melhor, estamos atrasado, retrocesso!
    Poderia estudar em sala de aula quem assim o quer! E em Ead quem assim quiser!
    Enfim….
    Sou mais um de uns que espera EAD ser liberado pelo Mec para continuar minha jornada.

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