EAD

Como a graduação EAD mudou a vida desta estudante

1

Estou próxima dos alunos desde as minhas primeiras atividades na área de EAD. Isso porque, em meados de 1996, fui um tipo de monitora de um programa online de Nivelamento Acadêmico na Universidade Anhembi Morumbi chamado Vivência Universitária.

De lá para cá, na maioria dos projetos em que atuei, ouvir os alunos sempre foi uma das minhas principais atividades – tanto por meio de contatos presenciais, como aulas inaugurais, provas, plantões, ligações telefônicas, e-mail, pesquisas quantitativas e qualitativas.

Leia mais: Como atuam os cursos EAD mais bem avaliados no Enade

Os profissionais de educação a distância trabalham para os alunos e pelos alunos. E ficam satisfeitos, claro, quando recebem um e-mail como o da Pâmella Vasconcelos, de 25 anos, aluna do curso EAD de Pedagogia da Uninassau.

Fiquei tão tocada com o depoimento dela, que, com sua autorização, eu o publico aqui neste meu espaço mensal do portal Desafios da Educação.

“Sempre gostei muito de estudar. Quando terminei o ensino fundamental, meus pais estavam passando por um momento complicado financeiramente e me disseram que eu teria de estudar numa escola pública. As opções que eles apresentaram não me agradaram e minha última alternativa foi o fazer o ensino médio pedagógico.

Leia mais: Mensalidade acessível e flexibilidade atraem alunos para EAD

Comecei a cursar sem muito ânimo, mas com o passar do tempo fui me descobrindo pedagoga. Percebi que, ali, poderia aprimorar minhas habilidades. Fui me afeiçoando, até que, no último ano do curso, engravidei. Mesmo assim, continuei os estudos até o nascimento do meu filho.

Minha bolsa gestacional se rompeu aos sete meses. Quando cheguei no hospital tive contrações e tomei vários remédios, mas não teve jeito de segurá-lo na barriga. Assim que nasceu, meu filho foi levado às pressas para a UTI neonatal da maternidade. Passou quinze dias internado.

Pâmella Vasconcelos, 25 anos, aluna do curso EAD de Pedagogia da Uninassau, com seus filhos Alex e Ayrton. Crédito: arquivo pessoal.

Um ano depois decidi retomar os estudos. Cumpria os estágios obrigatórios para a conclusão quando engravidei novamente. O que não me impediu de receber o diploma, fazer o Enem e ganhar uma bolsa de estudos integral em uma faculdade.

Frequentei a primeira semana de aula, mas não aguentei a rotina e desisti. Era difícil seguir adiante nos estudos sendo dona de casa, esposa, mãe de um menino pequeno e grávida de outro. Eu precisava descansar.

Depois de dois anos, não aguentei mais ficar parada, sem trabalhar ou estudar. Eu sentia que precisava continuar. Só que depois que se é mãe, tudo fica mais difícil. Passei a pesquisar instituições de ensino, cursos e, principalmente, meios de poder voltar a estudar novamente – já que as oportunidades de trabalho ofereciam uma remuneração muito baixa. Isso me fez desejar ainda mais uma graduação.

Leia mais: Desemprego: recorrer à faculdade pode ser saída para alunos e egressos

Pensei em desistir da Pedagogia. Eu tinha certo receio em investir na carreira de professora devido à desvalorização da profissão, às historias que lia em jornais, de desrespeitos e agressões físicas violentas e aos baixos salários.

Busquei me conhecer e tentar observar minhas habilidades. Cheguei a pensar em fazer o curso de Computação, porque eu gostava de mexer com o computador; depois pensei em fazer Administração, porque tenho mania de querer dar conta de tudo, de resolver tudo. Mas quando Deus quer, não tem jeito.

Um dia, vi um anúncio do curso de Pedagogia de uma instituição que tinha exatamente a flexibilidade que eu precisava para continuar a estudar em um momento tão agitado da minha vida pessoal. Fiquei desconfiada com a proposta da EAD, mas era a única opção que daria certo.

Decidi arriscar. Li a descrição do curso, fiz a matrícula, fiquei muito ansiosa para começar e confesso que me surpreendi. É muito conteúdo e muito material para ler, entre os livros das disciplinas e os módulos das unidades dentro de cada disciplina; fora as vídeoaulas e webconferências em que aluno tem contato direto com os docentes.

Os tutores mandam e-mail todos os dias para lembrar do cronograma das disciplinas e das atividades que precisam ser realizadas dentro dos prazos com dicas de conteúdo.

Às vezes recebo ligações da faculdade para confirmar o acesso ao portal depois das atualizações e, outras vezes, a coordenação do polo entra em contato para avisar o dia, o horário, o andar, a sala e até a numeração da carteira que vai será usada por mim para realização da prova presencial.

Tudo é muito organizado com o nome de cada aluno, planejado previamente. Essas coisas fazem com que o aluno também planeje sua rotina de estudos para dar conta do conteúdo dentro dos prazos, tratando a educação com a mesma seriedade que a instituição de ensino.

Leia mais: A educação a distância como instrumento de inclusão social

Com tudo isso, acredito que a EAD traz muitos benefícios aos alunos. No decorrer do curso, desenvolvemos autonomia para gerenciar os estudos, nos tornamos mais confiantes. A flexibilidade de horário é um ponto positivo para motivar os estudos e, por ser um curso online, as disciplinas podem ser acessadas pelo celular ou outro dispositivo pequeno que tenha acesso à internet.

Assim o aluno não precisa ficar preso a um horário específico dentro de uma unidade educacional. Se só puder tirar 30 minutos diários pra estudar, pode começar a assistir a aula do professor um dia, dar pause e terminar em outro que não vai perder absolutamente nada do conteúdo.

Vejo que na EAD conseguimos a flexibilidade que a modalidade presencial fica a desejar – sem comprometer a grade curricular. Tantas vantagens, no entanto, requer dos alunos muita perseverança, organização, disciplina, comprometimento mesmo, porque existe uma exigência com os prazos muito grande.

 Se não houver uma constância do aluno, ele acaba passando da data e sendo reprovado nas disciplinas. Há uma cobrança muito maior do aluno de EAD, porque existe muita facilidade, muitas vantagens.

Independentemente de ser fim de semana ou feriado, podemos acessar o portal do aluno, assistir as aulas dos professores, tirar dúvidas, nos comunicar com os outros alunos da turma dentro do próprio ambiente. Toda a hora é hora para estudar.

 Se precisamos de livros, tem a biblioteca virtual; se precisamos de uma declaração de vínculo ou boleto, temos acesso rápido no próprio portal do aluno.

Na maioria das vezes, acabo resolvendo tudo online mesmo, mas caso for necessário pegar ou entregar alguma documentação no polo, o atendimento é rápido, porque, como percebi, temos prioridade em relação aos alunos do presencial.

 Leia mais: Competências em EAD: as exigências de uma nova era

Acredito que a palavra que define um aluno EAD é “foco”. O aluno EAD não tem tempo a perder; doa suas noites de sono para estudar mais um pouco, é consciente de que sem estudo não é possível ir além, geralmente trabalha o dia todo e não dispõe de tempo para frequentar todos os dias uma universidade. São mães que, como eu, têm filhos pequenos e precisam dar atenção a eles, acabando por deixar para depois o sonho de uma qualificação na profissão.

Se não fossem as flexibilidades do sistema EAD, eu não estaria no último ano do curso. Teria desistido logo no começo, porque a rotina do curso presencial é muito desgastante quando somado todas as obrigações que temos no dia a dia.

aluna faculdade EAD

Mediação pedagógica de um aluno autista. Crédito: arquivo pessoal.

E antes mesmo de terminar o curso, já consigo ver o resultado da minha persistência. Atualmente, estou trabalhando no município como mediadora pedagógica de crianças especiais, trabalhando a inclusão destas no ensino regular, algo que sem a teoria vista no curso, não conseguiria compreender, muito menos lidar diariamente com isso.

Acredito na educação a distância, porque sou prova de que ela realmente funciona. As flexibilidades do sistema EAD dão a oportunidade a muitos que almejam um ensino superior de qualidade, mas não têm tempo para estar em uma universidade diariamente.

E se acham que vou me contentar só com a graduação, estão enganados. Não vejo a hora de colar grau para buscar uma pós-graduação. Tenho me identificado muito com a educação especial e desejo crescer ainda mais profissionalmente sendo aluna EAD”.

Leia mais: EAD: em cinco anos, modalidade terá mais matrículas que presencial

Tocante, não é? Assim como Pâmella, há muitos outros alunos com histórias interessantes e inspiradoras para contar.

Estou coletando esses depoimentos, contando com a ajuda da comunidade EAD, e pretendo compartilha-los aqui no Desafios da Educação. Quero reforçar a credibilidade da modalidade a distância e abrir os olhos daqueles que ainda têm algum pré-conceito sobre a modalidade.

Caso você tenha um relato ou queira indicar alunos e ex-alunos EAD para participar desta seção, podem entrar em contato comigo: ffuruno@grupoa.com.br.

Leia mais: Por que há professores que ainda resistem ao ensino online?

Fernanda Furuno
Fernanda Furuno é cofundadora do Guia EAD Brasil, consultora da área de Sucesso do Cliente no Grupo A e membro do Conselho de Inovação da Abed. Escreve mensalmente no Desafios da Educação.

    VOCÊ PODE GOSTAR

    1 Comentário

    1. Pâmela, você é uma pessoa diferenciada! Continue confiando em seu potencial e não desista do Dom de educadora que lhe é visceral.
      Fernanda, como fico feliz em ver pessoas como você tomando conta do EAD pelo nosso Brasil a fora, reforçando a necessidade de levar a sério a modalidade, disseminando a ideia e criando adeptos por todo canto que vai.
      TMJ!
      Também descobri o EAD e oje auto na área como tutor. Mas, conforme aprendi com Gustavo Hofmam, em m curso pela ABMES, o modelo híbrido de ensino e aprendizagem é o que se mostra mais promissor para trilharmos caminhos sólidos no processo de ensino e aprendizagem.
      Mais uma vez… TMJ
      Sérgio Nunes

    Leave a reply

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.