EAD

Cancelou aulas presenciais devido ao coronavírus? Saiba como oferecer EAD

0

Por Jacqueline Lameza

Em razão da pandemia de coronavírus, as instituições de ensino superior parecem liderar o movimento de suspensão das aulas presenciais – substituindo-as por atividades e aulas a distância. Isso pode colocar um número sem precedentes de alunos, professores e gestores a administrar um formato para o qual eles podem ter pouca ou nenhuma experiência.

Este artigo se propõe a levantar algumas questões relevantes em relação a essa onda massiva de ensino remoto.

Leia mais: 5 dicas para os professores que irão migrar para o EAD

Uma educação a distância de qualidade não é feita sem planejamento. Sua cartilha inclui um bom ambiente virtual de aprendizagem (AVA ou LMS, na sigla em inglês) e de produção de conteúdo, além de definições prévias quanto a estratégias de avaliação e de verificação da aprendizagem, de como se dará a interatividade com os alunos no AVA, entre outros pontos.

A boa notícia é que boa parte das IES já conta com alguma plataforma digital como um apoio às aulas presenciais.

É por isso que, em tempos de pandemia do novo coronavírus, a EAD se torne uma estratégia vital para os alunos continuarem estudando – sem prejuízo ao processo de ensino-aprendizagem. É a recomendação é do Semesp, da Abmes e do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Leia mais: Coronavírus: menos aulas presenciais, mais EAD

Se for o caso de serem usadas, as aulas a distância intensificariam a comunicação entre alunos e professores por meio do AVA. Esse é o primeiro ponto.

Quanto ao conteúdo, para as IES que contam com o acesso às bibliotecas digitais, é possível que o professor, de sua própria casa, faça a curadoria junto ao acervo disponível. Dessa forma, poderá indicar os livros e capítulos que devem ser lidos pelos alunos e postar no AVA para que eles possam acessá-lo de onde estiverem.

Sala de aula vazia. Crédito: Marcos Santos/USP imagens.

Sala de aula vazia: EAD é solução para IES. Crédito: Marcos Santos/USP imagens.

Leia mais: Como estudar a distância em tempos de Covid-19? Aqui estão 5 dicas para os alunos

Para as IES que não possuem assinatura em nenhuma biblioteca virtual, a opção é buscar uma parceria imediata. Caso essa opção não seja viável por questões estratégicas, as IES podem optar pela curadoria de conteúdo disponível na internet, já que há muito material interessante que pode ser acessado e utilizado.

O trabalho do professor será o de buscar fontes interessantes e confiáveis, atribuindo significado por meio do filtro de busca, da validação, síntese e contextualização dos conteúdos encontrados. Essa pesquisa acurada pelo professor se tornará a fonte de textos-base da disciplina.

O processo de ensino-aprendizagem, então, será feito mediante o compartilhamento desse conteúdo no ambiente virtual, por meio de ferramentas para publicação, comentários e verificação da participação do aluno.

Leia mais: Coronavírus: Brasil está preparado para estudo remoto?

A curadoria depende de competências comunicacionais, pedagógicas e organizacionais que, ao serem combinadas, possibilitam a oferta de conceitos alinhados aos objetivos de aprendizagem e consistentes com o Projeto Pedagógico do Curso (PPC).

Alternativamente, as IES podem buscar parcerias com empresas que fornecem conteúdo por licenciamento, cujo serviço conta com a disponibilização de material pronto e próprio para a linguagem educacional do EAD.

Como o pagamento é feito proporcional ao número de alunos e não pela quantidade de disciplinas, o custo de acesso a esse conteúdo acaba sendo baixo, ainda que um pouco maior, se comparado às bibliotecas digitais. No entanto, todas as opções dependerão da curadoria de conteúdo realizada pelo professor de cada disciplina.

Leia mais: Estreia de podcast “Desafios da Educação” analisa resposta do MEC ao coronavírus; ouça

 

Estrutura do coronavírus – batizado assim por causa dos picos de suas membranas que lembram uma coroa. Crédito: Lancet/reprodução.

Para manter a aproximação com seus alunos, o professor deve propor web conferências e chats, que são atividades em tempo real (síncronas), bem como propor atividades em que nem todos precisem estar conectados ao mesmo tempo (assíncronas), mas que sejam interessantes e mobilizadoras, como fóruns de discussão e atividades baseadas em problemas, que permitirão a construção colaborativa do conhecimento.

Todas as atividades previstas para a sala de aula presencial poderão ser aplicadas pelo professor via AVA, desde que sejam feitas pequenas adaptações. O importante é que o professor esteja presente na sala de aula virtual para garantir que o processo de ensino-aprendizagem ocorra.

Leia mais: Como Harvard se planeja para ministrar aulas online devido à crise de Covid-19

Muito se fala na EAD como alternativa para contornar problemas de distância – o do trânsito, por exemplo. Contudo, em tempos de coronavírus, também tem se mostrado uma boa solução e sem nenhum prejuízo ao aluno.

Pelo contrário: a EAD permitirá que o estudante desenvolva habilidades além do próprio aprendizado do conteúdo, como autodisciplina, automotivação, autonomia, organização, reflexão crítica, administração do tempo, trabalho em equipe, entre muitas outras que prepararão nossos alunos para o mundo do trabalho.

Sobre a autora

Jacqueline Lameza é economista e administradora, diretora de operações da unidade EAD no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal) e doutoranda em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP. Tem 16 anos de experiência com educação a distância.

Leia mais: Coronavírus: menos aulas, mais EAD

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

    VOCÊ PODE GOSTAR

    Comentários

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.