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O Facebook mudou seu nome corporativo há duas semanas – agora a empresa se chama Meta. Ao tirar a ênfase do seu produto de maior sucesso, o CEO Mark Zuckerberg assumiu uma visão de futuro baseada na ficção científica, onde o virtual é (ainda mais) incorporado ao físico, em um “metaverso”. E a educação é parte fundamental desse novo paradigma.

Mesmo com o vídeo de uma hora que divulgou, o Facebook (ops, acho que agora é Meta) não foi capaz de definir uma aparência precisa do metaverso. Mas disse o caminho que pretende trilhar até chegar lá: US$ 150 milhões em investimentos no seu Facebook Reality Labs, criando um programa de educação para auxiliar no desenvolvimento de tecnologia e treinar pessoas para usar ferramentas de realidade aumentada e realidade virtual. Para isso, fez parcerias com a Coursera e a edX.

Mas a educação aplicada a um metaverso vai muito, muito além do que anunciou a big tech. No setor educacional, a ideia é desenvolver, aperfeiçoar e popularizar as ferramentas de ensino híbrido, de modo a criar na próxima década um modelo de estudo mais sofisticado do que o presencial. Quem garante é Igor Sales, cofundador e gerente da Imersys, braço de experiências imersivas da Plataforma A. A unidade de negócio atua desde 2016 com as principais tecnologias que compõem o metaverso.

A convite do Desafios da Educação, Sales explicou como será o mundo com a educação aplicada ao metaverso. Antes de explorar esse potencial, porém, é preciso entender a origem do conceito.

A origem do metaverso

Segundo o executivo, o metaverso pode ser interpretado como uma internet evoluída, no qual os usuários (via avatares digitais) se encontram e interagem em tempo real. É uma espécie de Second Life, só que com identidades verdadeiras e com consistência de tempo universal.

Desde o anúncio da Meta, a procura pelo termo “metaverso” disparou na internet, como mostram dados da plataforma Google Trends. Mas cabe dizer que o metaverso não é uma criação da rede social. O termo deriva de um romance de ficção científica de 1992, chamado “Snow Crash”, uma aventura ambientada em um mundo onde grande parte da vida cotidiana acontece em um mundo digital imersivo que eventualmente substitui a internet.

No romance, escrito por Neal Stephenson, o metaverso surgiu após um colapso econômico mundial, onde os governos cederam o poder a empresas privadas e empreendedores – levando a uma enorme divisão entre ricos e pobres.

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Sem se apegar ao desfecho do livro, as big techs do Vale do Silício têm usado o metaverso como modelo para o futuro do ciberespaço. Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse em outubro que a empresa está trabalhando na construção do “metaverso empresarial”. Em abril, a Epic Games (fabricante do Fortnite) anunciou uma rodada de financiamento de US$ 1 bilhão para apoiar seus investimentos no metaverso. E, embora o rebranding inclua um nome alusivo ao metaverso, a empresa de Mark Zuckerberg tem um antigo interesse pela realidade virtual – em 2014, a companhia comprou a empresa VR Oculus por US$ 2 bilhões.

A nova palavra da moda, portanto, refere-se a uma variedade de experiências virtuais aplicada no mundo real. Experiências essas que que ganharam força durante a massiva virtualização provocada pela pandemia.

E como a educação se aplica ao metaverso?

Nesse admirável mundo virtual, seria possível assistir shows, comprar roupas, praticar esportes. No que diz respeito à educação, um aluno poderia se sentar em uma roda de debate virtual com colegas de outras cidades – em vez de olhar para seus rostos 2D no Zoom – e depois ir a outro local para se encontrar com seu professor, que está em outro país.

Outros exemplos da educação aplicada ao metaverso estão na versão imaginada pela Meta. Em seu vídeo de lançamento, há uma cena (por volta do minuto 31) em que uma aluna recebe ajuda em seu dever de astrofísica usando as mãos para manipular uma enorme imagem do sistema solar. “Se você estudasse astrofísica, poderia estudar no multiverso”, disse o narrador do vídeo.

O próximo exemplo mostrado no vídeo é um aluno transitando pela Roma Antiga, graças a dispositivos de experiências imersivas (com óculos e fones de ouvido de realidade virtual). “Imagine ficar na rua ouvindo os sons, visitando os mercados”, instiga o narrador, “para ter uma noção do ritmo de vida há mais de dois mil anos. Imagine aprender como o fórum romano foi construído, observando-o ser construído bem na sua frente”.

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Mas o que existe de metaverso, atualmente, na educação? “O metaverso é apenas um pré-começo de início de conversa”, classifica Igor Sales, da Imersys. Ele lembra que a educação acabou de passar por uma disrupção inédita – o ensino remoto em massa provocado pela pandemia. Embora algumas instituições de ensino tenham se saído bem durante a pandemia, essa não foi a realidade em boa parte das escolas, faculdades e universidades.

“Como pode uma geração completamente online, acostumada a pequenas frações de metaverso (como jogos e aplicativos), não terem tido êxito no ensino virtual? A culpa não é dos alunos”, diz Sales.

Segundo o executivo, as empresas do setor educacional precisam fazer como o Facebook, a Microsoft, a Nike e muitas outras – e investir no metaverso. “Ferramentas para isso existem. Podemos ter um cenário que mescla o presencial com o EaD de forma muito mais eficaz”, afirmou Sales, fazendo menção à criação de modelo avançado de ambiente virtual de aprendizagem, indispensável para um campus virtual com espaço para debate acadêmico com colegas e professores.

O gerente da Imersys conclui dizendo que, se o setor educacional se posicionar como um pilar no desenvolvimento do metaverso, haverá uma educação muito mais inclusiva no futuro. A empresa, que faz parte da Plataforma A, promete olhar com mais profundidade o metaverso – e convida clientes e parceiros a se juntarem à causa.

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Leonardo Pujol
Leonardo Pujol é jornalista e editor do Desafios da Educação. Também é sócio-diretor da República – Agência de Conteúdo, onde colabora para a revista Superinteressante, Piauí, BBC Brasil e HSM Management.

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