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Como utilizar ensino híbrido na educação corporativa

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A educação a distância (EAD) segue em crescimento e sua oferta vai além das instituições de ensino superior (IES), consolidando-se também no ambiente empresarial. Em 2018, segundo a última edição do Censo EAD.br, o Brasil ofertou 3.319 cursos livres corporativos e atendeu quase 1,3 milhão de alunos.

Apesar dos números expressivos, a capacitação empresarial registrou uma queda considerável. Em comparação com o levantamento de 2017, o total de cursos corporativos caiu 40% e o de alunos, 12,4%.

Diversos fatores podem ter influenciado o resultado. Mas, em vez de lamentar e apontar culpados, profissionais de instituições de ensino, edtechs (startups de educação), empresas e órgãos públicos se reuniram na segunda-feira (21) para trocar ideias e compartilhar experiências inovadoras que deem novo fôlego à educação corporativa.

O debate girou em torno do ensino híbrido – modelo pedagógico que combina o ensino presencial com o aprendizado remoto –, seu papel na educação corporativa e a contribuição das edtechs nesse cenário.

Conduzido por Fernanda Furuno, coordenadora de estratégias educacionais do Grupo A e colunista do portal Desafios da Educação, o debate fez parte da programação do 25º Congresso Internacional Abed de Educação a Distância (Ciaed). O evento acontece de 20 a 24 de outubro em Poços de Caldas (MG).

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Foco no que é estratégico às empresas

ensino híbrido na educação corporativa

Mesa redonda no CIAED: participantes debatem sobre o potencial do ensino híbrido na educação corporativa. Crédito: Desafios da Educação.

Furuno começou o encontro com uma metodologia invertida – abriu o tempo para o público fazer perguntas, para depois as apresentações dos conferencistas; geralmente é o contrário. O modelo deu mais dinamismo e entusiasmo aos participantes.

A jornalista Sandra Medeiros, especialista em ensino a distância e responsável pela página EAD em Pauta, sugeriu que as empresas comecem a pensar a educação corporativa pelo mais importante ao negócio.

“No ambiente corporativo, é preciso identificar os objetivos estratégicos da empresa e desenvolver nos colaboradores as competências que levarão a esses objetivos”, falou Medeiros. “Não pode sair desenvolvendo qualquer competência.”

Isso significa que as empresas precisam, por exemplo, identificar se o melhor é começar com um programa de lideranças ou para os colaboradores da parte operacional. A partir disso, é possível elaborar currículos, planos de trabalho e metodologias. “Faça um piloto e vá ajustando o curso. Dando certo, o gestor pode ampliar o programa”, disse a jornalista.

Professor da Uninter, em Curitiba (PR), Armando Kolbe Junior endossou as sugestões de Medeiros e acrescentou que “aprendizado depende do material e do conteúdo que será disponibilizado, independentemente se no ambiente acadêmico ou corporativo”.

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Ensino híbrido corporativo: como fazer

Quando a EAD foi oficializada no Brasil, em 2004, o Ministério da Educação (MEC) era reticente com a modalidade. Mas nos últimos anos, a julgar pela entrada no segmento stricto sensu e pela portaria que ampliou a carga horária a distância em cursos presenciais para 40%, o governo parece mais aberto ao modelo.

A boa notícia é que o segmento corporativo não precisa seguir a legislação e a normativa ministerial aplicada às IES. Isso dá mais liberdade de inovação às empresas, que podem oferecer capacitação de funcionários e colaboradores em modelos híbridos.

“Só que eu percebo que a transferência de conhecimento no ambiente corporativo ainda é mais presencial do que EAD, algo herdado da academia”, lamentou Enilton Ferreira Rocha, gerente de projetos da WR3 EAD.

Ele afirmou que o ensino híbrido na educação corporativa é promissor. “É possível misturar espaços de aprendizagem presenciais e remotos, de modo que o aluno se sinta confortável para um diálogo suficiente e significativo.”

Os currículos corporativos podem incluir aulas em laboratórios de experimentação, oficinas ao ar livre e webconferências, além da troca de mensagens, áudios e vídeos pelo WhatsApp. “Na educação corporativa, o formato híbrido se encaixa muito bem”, afirmou Rocha.

Renta Maria Costa, que é consultora em EAD, acrescentou: “Existe um leque tão grande de oportunidades híbridas na educação corporativa que muitas empresas estão buscando apoio nas edtechs”.

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Funcionário é professor

“Todo mundo sabe que o empregado aprende mais sobre pressão da meta que tem na mão, mas é preciso analisar o impacto da meta no aprendizado corporativo, na lógica das emoções, na cadeia de valor”, ressaltou Enilton Rocha, da WR3 EAD. “Será que ele entende que vai ganhar alguma coisa com aquele curso? Isso é importante saber.”

Indo mais a fundo, Sandra Medeiros, da EAD em Pauta, compartilhou a experiência de um funcionário que estava prestes a se aposentar. Os gestores ficaram receosos, porque aquele colaborador tinha um grande conhecimento que precisa ser transmitido aos demais.

Então a empresa foi capturar seu conhecimento. O funcionário começou a escrever e dar depoimentos em áudios. Depois disso, foi criado um manual que posteriormente se transformou num curso online. “As empresas devem explorar esse tipo de informalidade. Afinal, isso é lifelong learning – e o empregado precisa saber que vai aprender formalmente e informalmente por toda a vida”, concluiu Medeiros.

Ao fim do encontro, realizado no Ciaed 2019, ficou o gostinho de quero mais. E o compromisso de continuar o debate em outro encontro – dessa vez, virtual. Quem desejar participar e discutir os rumos do ensino híbrido na educação corporativa, pode escrever para ffuruno@grupoa.com.br.

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Leonardo Pujol
Leonardo Pujol é editor do Desafios da Educação e sócio-diretor da República – Agência de Conteúdo.

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