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O impasse sobre o (não) fechamento de escolas na segunda onda da covid-19

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Escolas da Europa continuam abertas durante a segunda onda da pandemia. Crédito: Freepik.

Escolas da Europa continuam abertas durante a segunda onda da pandemia. Crédito: Freepik.

A Europa vive uma segunda onda de contágio da covid-19. Com medo de ver seus hospitais novamente em colapso, diversos países estão retomando medidas mais duras de restrição, semelhantes ao isolamento social do início da crise sanitária. Agora, no entanto, há uma diferença: a imensa maioria das escolas e creches continuam abertas.

O governo da Escócia, por exemplo, anunciou no dia 17 de novembro que a região oeste do país será colocada em lockdown por três semanas para tentar frear o contágio do novo coronavírus. As escolas escocesas, por sua vez, não deverão cancelar as atividades presenciais.

A Escócia é só um exemplo de um cenário que se repete em países como Alemanha, França e o resto do Reino Unido.

Leia mais: O que sabemos sobre o retorno das escolas em pontos?

Por que manter as escolas abertas?

Uma preocupação que existe desde o fechamento das escolas, em março, diz respeito aos efeitos da quarentena no desenvolvimento acadêmico e emocional das crianças e jovens. Atrelado a isso, estudos recentes mostram que as escolas não têm um papel relevante para a disseminação do Sars-Cov-2.

Em agosto, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças da Europa (ECDC, na sigla em inglês) informou que as crianças representavam menos de 5% de todos os casos de coronavírus relatados nos 27 países da União Europeia e no Reino Unido.

O vice-primeiro-ministro da Escócia, John Swinney, disse ao programa Good Morning Scotland, da BBC, que as escolas “não estão contribuindo significativamente” para o aumento dos casos.

Já o primeiro-ministro da Irlanda, Michael Martin, falou que o país não permitirá que o futuro dos seus filhos seja mais uma vítima da covid-19. “Eles precisam de educação”, afirmou em um discurso.

Apesar das resistências, a manutenção de escolas abertas tem seus riscos. Tome-se o caso de Israel, onde houve um novo surto de covid-19 quando o distanciamento social não foi seguido nas instituições de ensino e a exigência do uso de máscaras foi relaxada.

Leia mais: É seguro reabrir as escolas? Especialistas em saúde respondem

Por que fechar as escolas?

País mais afetado pela pandemia, os Estados Unidos vão na contramão da Europa. Em 18 de novembro, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, escreveu em sua conta no Twitter que as escolas públicas da cidade serão novamente fechadas por conta do aumento de casos de covid-19 no país.

A paralisação foi motivada pelo fato de a cidade ter alcançado uma taxa de positividade de 3% nos testes em uma média móvel de sete dias. O indicador é o limite mais conservador de qualquer grande distrito escolar do país.

A decisão, entretanto, tem provocado indignação na população. Isso porque a cidade está optando por encerrar as atividades presenciais ao mesmo tempo que permite que o comércio permaneça aberto com capacidade reduzida.

Nova York possui o maior sistema escolar público dos Estados Unidos, com 1,1 milhão de alunos e 1.800 escolas – que estão abertas para ensino presencial há pouco menos de dois meses. Ao reabrir suas escolas, a cidade havia adotado um modelo híbrido, em que parte dos estudantes continuou com atividades remotas.

Leia mais: O que vem por aí? A educação depois da primeira onda da pandemia

Em Nova York, as escolas voltaram a fechar as portas por causa da segunda onda da pandemia. Credito: Knitty Marie/CC BY-SA.

Em Nova York, as escolas voltaram a fechar as portas por causa da segunda onda da pandemia. Credito: Knitty Marie/CC BY-SA.

E no Brasil?

Após uma lenta queda no número de casos e óbitos por covid-19, o Brasil voltou a ver os gráficos aumentarem. Estados de todas as regiões, como Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Acre e Paraná, observaram médias móveis de ocorrências e mortes chegando a triplicar nos últimos dias.

Diante dessa provável segunda onda do coronavírus, especialistas em saúde voltam a recomendar que os estados e municípios reforcem as medidas de isolamento social. Porém, ainda não se sabe o que será feito em relação as escolas.

O prefeito de São Paulo (SP), Bruno Covas, já se adiantou e decidiu paralisar os planos de reaberturas das escolas públicas e privadas da capital. O anúncio foi feito na quinta-feira, 19 de novembro.

As escolas, todavia, poderão continuar com as aulas presenciais para o ensino médio. Na educação infantil e fundamental será mantida a exigência de apenas oferecer atividades extracurriculares. Além disso, segue sendo permitido que apenas 20% dos alunos frequentem as instituições a cada dia.

“Não vamos avançar, mas os números não mostram nenhuma necessidade também de retroceder”, disse o prefeito em coletiva de impressa.

De acordo com os dados da Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep), atualizados em 16 de novembro, 21 estados estão autorizados a retornarem com às aulas presenciais.

Leia mais: 7 maneiras de apoiar os professores para a volta às aulas

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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