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As mudanças do SAT, o ‘Enem americano’. E o futuro do vestibular digital

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A empresa controladora do SAT (Scholastic Aptitude Test), exame admissional para o ensino superior americano – similar ao Enem brasileiro –, anunciou na terça-feira (19) que vai descontinuar testes de disciplinas específicas e de redação.

Segundo a College Board, esses exames estão perdendo a relevância, já que poucas faculdades os exigem. A ideia, diz a empresa, será simplificar o SAT e entrega-lo digitalmente, atendendo as atuais necessidades dos alunos e das instituições de ensino.

Os críticos, por outro lado, não viram as mudanças apenas como tentativa de facilitar o processo de realização do SAT, mas de competir com o “AP Exam” – informou o jornal The New York Times.

Como o AP Exam mudou o jogo do SAT

Nos Estados Unidos, existem dois exames padronizados semelhantes ao Enem – dedicados a avaliar o conteúdo aprendido no ensino médio. Além do SAT, há ainda o ACT (American College Testing). Os exames ocorrem sete vezes por ano. E ambos são usados e aceitos por todas as universidades americanas.

Aplicado há gerações, o SAT tinha dois formatos.

O chamado SAT 1 (ou SAT principal) era divido entre um exame para matemática e outro para leitura e escrita. A partir da década de 1960, os alunos passaram a ter a opção de fazer o SAT 2 (ou SAT Subject Tests) para avaliar o domínio de disciplinas específicas, como história, biologia, química e línguas. Ambos os testes eram produtos desenvolvidos pela College Board, uma organização sem fins lucrativos que no passado relatou mais de US $ 1 bilhão por ano em receitas.

Ocorre que, nos últimos anos, o mercado americano tem visto o crescimento do Advanced Placement (AP). Trata-se de uma alternativa ao ensino médio tradicional. O curso foi criado pela própria College Board para preparar melhor os estudantes para o application – submissão à universidade, equivalente ao vestibular.

Ao final do curso, o estudante faz uma prova de conclusão chamada AP Exam. A nota da AP Exam, por sua vez, passou a ser aceita no processo seletivo de várias universidades e faculdades dos EUA. O que vem diminuindo a adesão dos candidatos ao SAT e ao ACT.

Leia mais: Como a pandemia mudou a captação de alunos no ensino superior

Prevista anteriormente para janeiro, retomada das aulas presenciais foi revista pelo MEC após conversa com representantes de universidades e entidades representativas. Crédito: Marcos Santos/USP Imagens.

Segundo dia de prova da segunda fase do vestibular da Fuvest, em 2017. Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

Mas o declínio do SAT também decorre de fatores que vão além do AP Exam.

Muitos estudantes faziam o SAT 2 para adicionar evidências acadêmicas às próprias inscrições – atendendo a exigência de algumas universidades. O problema é que, além de aumentar a duração do processo seletivo, a exigência também aumentava a desigualdade entre pobres e ricos. O que, aos poucos, faz o setor abrir mão dos testes de disciplinas. Nos últimos anos, mais de 1 mil universidades deixaram de considerar as notas do SAT 2.

Apesar disso, o presidente-executivo da College Board disse que a demanda pelo SAT 2 ainda era “mais forte do que alguns esperavam”, segundo o New York Times.

Ao jornal americano, David Coleman também falou que o objetivo do novo SAT não é fazer com que mais alunos façam cursos e testes de AP, mas eliminar exames redundantes e reduzir a carga sobre os alunos do ensino médio.

No comunicado, a empresa informou que além das disciplinas a prova de escrita do SAT principal será descontinuada porque “há outras maneiras de os alunos demonstrarem seu domínio na redação de dissertações”. A prova de redação será aplicada apenas até junho de 2021.

Leia mais: Alunos do 3° ano querem adiar a faculdade. Saiba o impacto desse movimento nas IES

De frente para o computador: vestibular digital é tendência no setor, acelerada pela pandemia. Crédito: Pexels.

Vestibular digital é tendência

Ainda não há muitos detalhes sobre como ficará o novo SAT. A College Board se limitou a dizer que a pandemia acelerou a tendência de desenvolver uma prova de admissão mais simplificada e digital.

O Brasil já caminha nesse sentido. Em 2019, o governo federal anunciou que pretende extinguir até 2026 a prova física do Exame Nacional do Ensino Médio. Em vez de encontros presenciais marcados por aglomeração, um Enem digital.

O teste ocorre nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021. Quase 100 mil pessoas (de 110 cidades de todos os estados e do Distrito Federal) se inscreveram para a prova on-line. A estrutura será a mesma da prova física: 180 questões objetivas e uma redação.

Além do Enem, a tecnologia está presente em muitos outros vestibulares pelo Brasil. Instituições como Estácio, Anhanguera e Wyden Educacional já adotam plataformas de vestibular digital.

Avalia Vestibular, por exemplo, torna simples e 100% digital a aplicação de provas de redação, com correção rápida e sem necessidade de uma equipe específica da IES. A prova é gerada pelo sistema e disponibilizada por e-mail diretamente ao vestibulando. Esse acesso pode ser feito de casa ou em qualquer outro local, a qualquer momento, dentro de um intervalo de 10 dias.

Para IES, a plataforma cria um novo canal de captação, além do vestibular tradicional e modernizando o vestibular agendado, podendo ser realizado 365 dias por ano. Para o candidato, ainda há a vantagem do agendamento e da aplicação ágil, bem como a eliminação de barreiras físicas e geográficas – um ativo relevante na atualidade.

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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