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Um olhar sobre a qualificação dos professores no Brasil

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No ensino médio, 35% professores não possuem formação na disciplina que ensinam. Nos anos finais do ensino fundamental, o porcentual é de 43%. Crédito: Unsplash.

No ensino médio, 35% professores não possuem formação na disciplina que ensinam. Nos anos finais do ensino fundamental, o porcentual é de 43%. Crédito: Unsplash.

Os professores desempenham um papel fundamental na formação dos alunos. Mas há quem duvide que, quanto mais qualificados os professores, melhor é a aprendizagem.

Um estudo da International Journal of Educational Development, no entanto, pode pôr fim à discussão. Uma vez que os alunos são expostos a diferentes professores com várias qualificações todos os anos, os pesquisadores utilizaram uma perspectiva cumulativa para examinar o papel dos índices de qualificação dos professores. Os resultados indicam o óbvio: alunos ensinados por professores qualificados têm mais probabilidade de obter um desempenho elevado em testes.

E qual é o contexto do Brasil no que diz respeito à qualificação dos professores?

A qualificação dos professores do Brasil

Qualificar os professores é um dos grandes objetivos – e desafios – da educação brasileira. Até 2024, 50% dos professores do ensino básico no Brasil devem se formar em nível de pós-graduação e todos precisam receber formação continuada em sua área de atuação. As metas são do Plano Nacional de Educação (PNE), vigente desde 2014.

Dados do Censo Escolar 2020 mostram que, entre os docentes de  ensino médio, 97,1% têm nível superior completo: 89,6% em licenciatura e 7,4%, bacharelado. Parece uma boa notícia.

O que preocupa, porém, são os de professores sem formação na disciplina que ensinam. No ensino médio, eles são 35%. Nos anos finais do ensino fundamental, 43%.

O quadro mais crítico é no Nordeste, onde 54% dos professores de ensino médio e 41% de ensino fundamental II têm formação apropriada. Na região Norte, o índice também é baixo: só 44,2% dos docentes na última etapa do ensino fundamental possuem diplomas de graduação e de licenciatura na disciplina que ensinam.

Mesmo nas regiões com melhores indicadores, a situação não é satisfatória. No Sul, 71,3% dos professores de ensino médio têm licenciatura na área em que trabalham – ou seja, 28,7% ensinam, diariamente, um conteúdo no qual não são especializados.

Leia mais: 5 atitudes para professores se adaptarem ao ensino digital em 2021

Segundo especialistas, mesmo que as áreas sejam parecidas, o  profissional vai encontrar dificuldades para lecionar uma disciplina que ele não aprendeu devidamente. “O tipo de conhecimento que ele vai trabalhar com os alunos será superficial”, diz Ângela Soligo, professora de pós-graduação da Unicamp ao portal G1.

Com uma carga horária intensa, sobra menos tempo para o docente investir em formação continuada. Assim, terá ainda mais dificuldade para se instrumentalizar e melhorar a qualidade de suas aulas. Quem perde são os alunos.

Leia mais: O que as pesquisas dizem sobre a carreira docente no Brasil

Redação Pátio
A redação da Pátio – Revista Pedagógica é formada por jornalistas do portal Desafios da Educação e educadores das áreas de ensino infantil, fundamental e médio.

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1 Comentário

  1. Gostaria de sugerir um tema a ser tratado, é sobre os profissionais que atuam nas creches em todo Brasil. Somos professores não reconhecidos. É impossível que em pleno ano 2021 ainda existam professores atuando em creches sem o devido reconhecimento.

    Teoricamente o município diz que o Professor inserido na sala é o responsável por educar, enquanto os auxiliares por cuidar, como se isso fosse possível. Mas na prática o que acontece é que dois profissionais realizam o MESMO TRABALHO, porém com carga horária e salários muito diferentes, o que está gerando um grande conflito nas creches de todo o país.

    Desta forma os Auxiliares de Creche (Professores de Educação Infantil ainda não reconhecidos), em exercício na educação infantil, aprovados e convocados através de concurso público, porém sem a exigência do magistério são os professores da Educação Infantil e sua valorização deve ser garantida, afinal muitos destes profissionais já se encontram qualificados há longa data.

    Diante dos fatos e leis evidencia-se que os servidores públicos concursados chamados pelos municípios de Auxiliares de Creche entre outras denominações que se adequarem as novas diretrizes da educação devem pertencer ao plano de carreira do magistério. Em alguns municípios o reconhecimento e valorização já é realidade.

    Uma vez que várias defensorias públicas já entenderam que é possível do ponto de vista legal a transposição para o cargo de magistério o respectivo enquadramento dos servidores ocupantes de cargos de monitor de creche, inclusive com a nomenclatura do cargo de professor de educação infantil, desde que concursados. É necessário que uma Lei seja criada para que os Municípios cumpram o que diz na LDB. Acreditando na disposição da atual administração para encaminhar as mudanças apontadas para a melhoria da educação.

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