Ensino Básico

Tem como repetir o atual ano letivo em 2021?

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Repetir o ano letivo; Educadores são contrários ao tema. Crédito: Agência Brasil.

Repetir o ano letivo; Educadores são contrários ao tema. Crédito: Agência Brasil.

Com as escolas fechadas há quase seis meses, os pais já deram todos os sinais de exaustão. Não são poucos os leitores que escreveram ao Desafios da Educação queixando-se da dificuldade para equilibrar a educação dos filhos com o trabalho e os afazeres domésticos.

Além de falta de tempo, espaço para estudar, preparo pedagógico e recursos tecnológicos, muitos pais enfrentam outro aborrecimento: a sensação de que os filhos não aprendem nada com as aulas remotas – e de que o ano letivo de 2020 está perdido.

Daí surgiu a dúvida: tem como repetir o atual ano letivo em 2021? Isto é, não seria melhor que as crianças fossem reprovadas automaticamente em 2020 e recomeçassem no ano que vem?

Leia mais: Como os pais podem apoiar o estudo dos filhos na quarentena

Diversos educadores se manifestaram a respeito do tema na imprensa. Todos são contra a reprovação automática – pois a ação poderia desmotivar (ainda mais) os estudantes e aumentar a evasão.

Aluno estuda em casa por causa do coronavírus

Educadores dizem que repetir o ano letivo e recomeçar em 2021 pode desmotivar os alunos e cooperar para evasão escolar. Crédito: Shutterstock.

A presidente-executiva do movimento Todos pela Educação diz que, do ponto de vista da gestão pública, não se pode penalizar os alunos por causa da pandemia. “Seria injusto você ter uma reprovação, porque a gente está vivendo um momento de exceção”, disse Priscila Cruz, em entrevista à TV Globo.

Evidentemente que as escolas precisarão fazer um ajuste no calendário. “Em vez de perder o ano letivo, o aluno provavelmente será apresentado a um currículo adaptado, com base na BNCC”, analisou Katia Smole, ex-secretária de Educação Básica do MEC, em live promovida pelo portal Desafios da Educação. “Não se joga um ano letivo no lixo. Ninguém será reprovado.”

O Brasil poderia criar um cronograma em que 2020-2021 fosse visto como um único ano letivo, segundo o presidente do Instituto Singularidades. “Assim, a defasagem de conteúdo poderia ser recuperada em um período maior, evitando que uma criança seja injustamente reprovada ou que passe de ano sem ter aprendido o necessário”, disse Alexandre Schneider, à Folha de S. Paulo.

Leia mais: Pós-pandemia: como reabrir as escolas

Em relação ao tema, a posição do MEC não é clara. Todavia, o governo federal sancionou lei que dispensa escolas e universidades de cumprirem a quantidade mínima de 200 dias letivos em 2020. Além disso, o governo autorizou a rematrícula para alunos que concluírem o ensino médio – ou seja, para cursarem em 2021 o último ano escolar, de forma suplementar, se os alunos assim desejarem.

Até agora, acredita-se que o Quênia é único país que cancelou o ano letivo de 2020. A decisão, anunciada em julho, foi tomada para proteger professores e alunos do coronavírus, e também para diminuir os níveis de desigualdade na aprendizagem – muitos alunos não conseguiram aderir ao ensino remoto.

Não se espera que as aulas presenciais recomecem antes de janeiro de 2021, início do ano letivo no Quênia. A medida afeta mais de 18 milhões estudantes de 90 mil escolas de ensino básico.

Leia mais: Em 1918, gripe espanhola fez escolas aprovarem todos os alunos no Brasil


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