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Sete mitos sobre o cérebro que precisam ser derrubados

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Não raro, nos deparamos com pesquisas que prometem desvendar os mistérios do cérebro. A curiosidade a respeito da nossa própria mente é quase universal, assim como o desejo de melhor aproveitarmos nossas capacidades cognitivas. Porém, esse afã por desvendar os segredos da inteligência humana muitas vezes nos leva a enganos ou exageros que se perpetuam ao longo do tempo como verdades absolutas quando não passam de tendências ou crenças ainda não comprovadas.

Esses estudos são especialmente interessantes ao mundo da educação, já que a cognição está intimamente ligada à facilidade de aprendizagem dos alunos e, até mesmo, de ensino por parte dos professores. Assim, é importante que professores e gestores estejam atentos aos mitos científicos que podem levar a enganos e erros de cálculos. Hoje, trazemos sete exemplos de crenças que, apesar de amplamente difundidas, não encontram bases sólidas na ciência para se perpetuarem. Esses mitos foram pesquisados junto a professores do Reino Unido, Turquia, Holanda, Grécia e China, mas os resultados são facilmente transponíveis para o resto do mundo.

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O cérebro tem funções diferentes em cada área, mas todos nós acessamos ambos os lados em igual medida.
[FONTE: deviantART]

Lado esquerdo e lado direito do cérebro
Esse é um dos mitos mais difundidos a respeito do cérebro: a ideia de que as pessoas usam mais um ou outro lado dele. A crença é de que pessoas que usam mais o lado esquerdo do cérebro seriam mais pendentes ao uso da razão, enquanto as pessoas que usam mais o lado direito seriam mais emocionais e sensíveis. Entretanto, mais de mil ressonâncias magnéticas comprovaram que ninguém usa mais um ou outro lado do cérebro e, pelo menos nesse quesito, somos todos igualmente de centro.

Usamos apenas 10% do cérebro
É reconfortante pensar que temos capacidade mental “sobrando” e que, talvez, com o treinamento certo, pudéssemos aproveitar todo nosso potencial. Mas nada sustenta essa crença, amplamente propagada, em parte, também, pelas propagandas de produtos e técnicas que prometem facilitar o “acesso” aos 90% não utilizados. Assim como os poderes paranormais não têm comprovação, essa teoria tampouco serve para explicar tudo aquilo que não entendemos no mundo.

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Homer, o personagem do clássico desenho Simpsons, talvez seja um exemplo único de uso reduzido do cérebro.
[FONTE: Simpsons Wiki]

A euforia do açúcar
Muita gente acredita que a ingestão de açúcar deixa as pessoas menos atentas. Essa preocupação é mais comum na educação infantil, na qual professores temem que os alunos exagerem nos doces e balas e apareçam na aula incapazes de prestar atenção. Só que a ciência não conseguiu provar essa relação entre açúcar e falta de concentração, embora seja fato que a rápida subida nos níveis de glicose cause alterações no ânimo e que o açúcar é, sim, um vilão na alimentação.

Estilos de aprendizagem
É claro que a personalização é um dos grandes trunfos da educação atual, assim como a diversidade de estímulos, amplamente facilitada pelas novas tecnologias. Mas a crença de que cada indivíduo tem um estilo de aprendizagem não encontra sustentação científica. Para os pesquisadores da mente, todos nós somos aprendizes visuais, auditivos e sinestésicos. A diferença está mesmo em achar a medida na mistura desses elementos para prender o interesse do aluno.

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Uns enxergam melhor, outros ouvem e ainda outros se comunicam com mais facilidade, mas todos somos capazes de aprender.
[FONTE: Civica Library]

Encolhimento do cérebro
Menos difundido, esse mito é comparável às dietas malucas que volta e meia assombram as revistas femininas. A ideia é que, se não tomarmos de seis a oito copos de água por dia, nosso cérebro encolherá por desidratação. Nada sustenta essa crença, e tal efeito – plenamente reversível – só foi observado em casos de alcoolismo. Mas vale o lembrete: tomar água tem mesmo uma importância vital para o corpo.

Exercício físico melhora a comunicação entre os hemisférios do cérebro
Assim como tomar água, exercitar o corpo é questão de saúde. Mas existe uma crença bastante difundida nos Estados Unidos de que o esforço físico aumenta as sinapses e melhora a interação entre os lados esquerdo e direito do cérebro. Cientificamente, não há comprovação para essa crença, mas há cada vez mais evidências de que exercícios regulares melhoram a função cerebral.

Idade certa para aprender
Nessa questão, temos que tirar as crianças da equação: elas, realmente, aprendem com mais facilidade, mais rapidez e estão mais abertas às informações externas. Mas, da idade adulta em diante, todos temos mais ou menos a mesma capacidade de assimilar novos aprendizados. Quando o assunto é educação, não há espaço para a desculpa de que “não tenho mais idade para essas coisas”.

É normal que novos mitos apareçam com frequência quando o campo da neurociência está em constante evolução. Estudos contraditórios e conclusões precipitadas são lugar-comum na produção acadêmica e, embora possam ser logo descartados, servem como degraus na longa e árdua escadaria do conhecimento. O papel do professor é manter uma postura crítica em relação às novas informações e sempre lembrar que a maior fonte de aprendizado é a própria sala de aula, tanto para educadores quanto para alunos.

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Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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