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Transformação digital no ensino superior: por onde começar?

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Poucos setores podem se manter alheios à transformação digital. Não é o caso da educação, onde tecnologias como inteligência artificial, big data e machine learning fazem toda a diferença. Associadas a um mindset inovador, elas promovem um ensino mais efetivo, personalizado e democrático.

Especialmente nas instituições de ensino superior (IES), a transformação digital impacta em dois eixos principais. O primeiro deles é o educacional. Nesse caso, uma série de novidades metodológicas e tecnológicas visam potencializar a aprendizagem, colocando os alunos no centro do processo de aprendizagem.

Ao mesmo tempo, a gestão administrativa das IES vive uma revolução. Plataformas agilizam o atendimento aos alunos, condensam dados que ajudam a evitar evasão e facilitam a organização financeira de faculdades, centros universitários e universidades.

Em meio a esse turbilhão de mudanças, muitos gestores acabam perdidos. E, pressionados, não conseguem lidar com um dilema básico: por onde começar a transformação digital da sua instituição? Em busca de respostas, o Desafios da Educação ouviu dois especialistas na área. São eles:

  • Stephan Younes, CEO da Slash Education, empresa dedicada a desenvolver habilidades e soluções pautadas em soft skills para a transformação digital.
  • Thuinie Daros, co-fundadora da Téssera Educação e autora de livros como “A Sala de Aula Inovadora” e “A Sala de Aula Digital”.

A primeira transformação é cultural

Está enganado quem resume a transformação digital ao aparelhamento tecnológico. Na verdade, tudo começa por uma mudança cultural, como explica Younes. “O primeiro passo a ser dado pelas IES é a adoção de um mindset inovador, que depois será materializado nas frentes educacional e administrativo-financeira”, afirma.

Nesse sentido, o papel dos líderes é fundamental. Eles devem verificar a capacidade dos profissionais da educação para absorver o novo modelo. Além disso, os gestores são responsáveis por conduzir e inspirar toda a equipe da instituição durante o processo de digitalização.

Conhecer o trabalho desenvolvido por universidades de referência ajuda em um primeiro momento. No exterior, o Instituto Tecnológico de Monterrey, do México, é constantemente citado como um bom exemplo. No Brasil, o portal Desafios da Educação contou, recentemente, sobre a experiência da Universidade de Vassouras.

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Para Thuinie Daros, em sala de aula a mudança cultural requer planejamento para a inserção de algumas ferramentas. Entre elas, interatividade digital, aprendizagem criativa, cultura maker, práticas steam, robótica, assim como a utilização de modelos pedagógicos flexíveis, metodologias ativas e abordagens híbridas.

“São experiências ricas e significativas que colocam o estudante como protagonistas do processo de aprendizagem, favorecendo a prototipação, o desenvolvimento de projetos e o diálogo e a colaboração entre professores e alunos”, diz.

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Hora de identificar tecnologias e metodologias

Embora não façam todo o trabalho sozinhas, as tecnologias são uma parte fundamental da transformação digital no ensino superior. Com opções surgindo a todo momento no mercado, identificar aquelas que mais se encaixam nas necessidades da instituição é um desafio e tanto.

O segredo, nesse caso, é começar pelo básico. A saber, um ambiente virtual de aprendizagem (AVA ou LMS, na sigla em inglês) responsivo e fluido que possa ser acessado de diferentes dispositivos, como tablets, smartphones e computadores. O AVA também deve garantir o acompanhamento da trajetória do aluno no curso.

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O eixo administrativo e financeiro não pode ficar de lado. Afinal, ele faz parte da experiência do aluno dentro da IES. Nesse caso, a aposta recai em plataformas capazes de melhorar a gestão de uma maneira geral ao mesmo tempo que tornam os atendimentos às demandas dos estudantes mais ágeis e eficazes.

“Com a transformação digital, as instituições se movimentam mais rapidamente, adaptando-se com mais facilidade e tornando-se mais flexíveis e personalizadas”, destaca Daros. “Essa nova modelagem reestruturará a rotina e os processos pedagógicos, assim como os percursos de seus profissionais e aluno”, completa.

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Parcerias são fundamentais

Por fim, uma das lições é que não há como fazer tudo sozinho.

“As instituições precisam ter a noção de que a transformação digital passa por trazer pessoas, empresas e demais parceiros que estão na cadeia de valor para dentro do negócio, acelerando e potencializando todo o processo”, destaca Younes, o CEO da Slash Education.

Fazer tudo de uma vez pode ser outro erro, segundo ele. “A ideia de early adopters é muito importante em uma indústria em mutação como a do ensino superior. Por isso, eu começaria por setores e cursos que estão mais preparados e deixaria os bons resultados contaminarem o resto da instituição.”

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