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UnCollege: um movimento longe das universidades que pode criar uma revolução acadêmica

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Faz pouco, nós falamos aqui sobre hackschooling, um movimento que prega a educação domiciliar como uma maneira de personalizar a própria educação, buscando experiências pessoais significativas e mentores que se adaptem aos interesses do aluno. Hoje, apresentamos o projeto social UnCollege, que aplica uma filosofia similar ao ensino superior. A iniciativa foi fundada por Dale Stephens, que estará presente no próximo Fórum de Lideranças: Desafios da Educação, que acontece em São Paulo no dia 6 de agosto.

Stephens vem ao Brasil palestrar sobre por que a Geração Y frequenta a faculdade e por que a Geração Z pode vir a não frequentar. Uma das respostas está na abordagem que ele mesmo assumiu para sua educação superior e no movimento UnCollege. Ainda adolescente, Stephens decidiu abandonar o colégio e estudar em casa, com apoio da mãe que é professora. Anos depois, ele ingressou na faculdade tradicional e, em pouco tempo, se viu completamente frustrado pelas práticas acadêmicas e o modelo estanque da universidade. Em conversas com amigos, ele percebeu que a insatisfação não era uma particularidade sua.

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O jovem Dale Stephens que guiou sua própria educação
[FONTE: Forbes]

Mais uma vez, Stephens abandonou as instituições ortodoxas e começou a buscar aprendizados por conta própria. Naturalmente, surgiu o UnCollege, que hoje funciona com um grupo de estudantes que, ao longo de um ano, cumprem as etapas estabelecidas pelo programa. São sete jovens de até 28 anos que, com a ajuda de mentores do movimento, passam por quatro fases com duração de três meses cada. O chamado “gap year” começa com a mudança para uma residência coletiva, onde se vive com outros alunos e se participa de palestras, oficinas e workshops. Em seguida, o aluno passa três meses em um país estrangeiro. Alguns pré-requisitos: que seja um país cujo idioma o aluno não fale, que seja um lugar onde ele nunca tenha estado antes e em que ele realize atividades que nunca antes tenha experimentado. Pode ser trabalhar em uma fazenda orgânica na Finlândia ou dar aulas de música na China, o importante é sair da zona de conforto. Na volta da jornada, o estudante começa um estágio em alguma empresa ou organização que se relacione a seus interesses. E, por fim, os últimos três meses são dedicados a um projeto pessoal, que poderá se tornar a ocupação profissional definitiva do jovem aprendiz.

As opiniões sobre o movimento divergem. De um lado, educadores adeptos da educação domiciliar sustentam que o sistema permite ao aluno desenvolver habilidades particulares sem precisar se adaptar ao currículo de uma faculdade: o ensino se adapta a ele. Além disso, o estudante desenvolveria capacidades que vão ser cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho, como facilidade em intercâmbios culturais, autonomia e boa comunicação. Do outro lado, os críticos apontam que o processo do UnCollege não é inovador em relação aos cursos tradicionais: ele é apenas mais curto e mais “solto”, mas usa as mesmas práticas de ensino em suas oficinas e estágios. Ainda há quem tema que os alunos do UnCollege deixem de aprender conteúdos acadêmicos que talvez não lhes sejam atraentes, mas são importantes.

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Viver fora do país é uma importante proposta do UnCollege
[FONTE: Alliance Abroad Group]

Apesar de polêmica – ou talvez por causa disso – a iniciativa de Stephens o colocou sob os holofotes dos Estados Unidos. O jovem foi apontado pela revista Forbes como uma das 30 pessoas com menos de 30 anos mais influentes da área de educação. O que pode ser bom. Embora seu movimento pareça, à primeira vista, antagonista dos cursos tradicionais, Stephens é o primeiro em dizer que ele não é contra as universidades. Seu objetivo é levar as instituições de ensino a se adaptarem aos novos tempos e garantir que os pensadores independentes e os estudantes autônomos não se afastem da academia. Como de costume, o melhor caminho é o caminho do meio: tirar um “gap year” não impede o ingresso em uma faculdade, assim como seguir um currículo não significa abrir mão de interesses pessoais.

Inscreva-se já no Fórum de Lideranças e aproveite a oportunidade de escutar Dale Stephens ao vivo. Compartilhe seus questionamentos e ideias e ajude a construir o futuro da educação.

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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1 Comentário

  1. […] em vez de ingressar logo numa universidade, é uma iniciativa criada pelo norte-americano Dale Stephens, que esteve recentemente no Brasil. Stephens foi premiado pela revista Forbes, como um dos jovens […]

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