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Como a UniCesumar implementou o ensino híbrido em cursos de Engenharia

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Há seis anos, a UniCesumar deu o pontapé inicial em um projeto para ofertar cursos híbridos na área da Engenharia. Na época, a modalidade ainda não era vista como uma tendência no ensino superior. Além disso, era necessário superar a resistência histórica dos conselhos profissionais – até então, relutantes à educação a distância (EAD).

Hoje, os cursos de Engenharia estão presentes em 120 dos 998 polos de EAD da instituição paranaense. A estratégia híbrida foi implementada na área de bem-estar e, mais recentemente, na Saúde, em graduações como Farmácia, Biomedicina e Nutrição. O próximo objetivo é tornar o modelo escalável para cidades e estruturas com polos menores.

Em entrevista ao Desafios da Educação durante o 27° Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (CIAED), o diretor de EAD e cursos híbridos da UniCesumar, Fabrício Lazilha, conta como a instituição estruturou seu ensino híbrido, garantindo a formação prática dos seus alunos e tornando os conselhos profissionais parceiros do projeto.

Como foi estruturado o modelo de ensino híbrido adotado pela UniCesumar?

O projeto para ofertar cursos de Engenharia começou em 2016, quando todo mundo tinha receio do posicionamento dos conselhos profissionais. Em 2017, amadurecemos o modelo, buscando apoio instituições que são referência na área, como a Escola Politécnica da USP e o Olin College, nos Estados Unidos. No mesmo ano, lançamos o projeto durante o CIAED. As aulas começaram em 2018.

Nesse modelo, os dois primeiros anos dos cursos têm um núcleo comum das engenharias, em que o estudante é encorajado a ir para polo para ter encontros nas salas de metodologias ativas. A partir do terceiro ano, incorporamos os laboratórios físicos. Em 2022, depois de avanços e alguns ajustes, estamos com todas as turmas no quinto ano, fechando um ciclo, e vamos realizar o reconhecimento dos cursos.

Como funciona a parte prática do curso?

Hoje, temos estudantes indo para o polo e experimentando tecnologias e equipamentos que nem toda indústria ou instituição de ensino presenciais têm. Com parcerias como a da Algetec e o desenvolvimento interno de simuladores, estamos quebrando paradigmas e levando o estudante para fazer práticas roteirizadas.

Como complemento, desenvolvemos um atlas das engenharias, onde todos os experimentos são catalogados. Nele, é possível navegar por curso, por equipamento ou experimento. E, para cada experimento, há um roteiro, fundamentação teórica, insumos, relações de itens, um vídeo do professor e uma sessão em que o estudante posta seu vídeo executando a prática.

Depois de estudar em casa, inclusive simulando a execução do experimento nos laboratórios virtuais, o estudante vai para o polo para experimentar com o apoio de um tutor engenheiro. Ele chega muito mais preparado no momento presencial. Isso nos ajuda a ter assertividade na aprendizagem e a minimizar a manutenção dos equipamentos.

Leia mais: Hyflex: entenda o modelo que flexibiliza o ensino híbrido

Qual tem sido a avaliação interna dos cursos até aqui?

É um modelo do qual temos muito orgulho. O NPS (Net Promoter Score) dos cursos híbridos de engenharia é bastante alto. A evasão ainda um desafio no primeiro ano. Mas, a partir do segundo ano, encontramos um equilíbrio, com sucesso na retenção.

O modelo foi levado para outras áreas?

Usamos a mesma estratégia nos cursos de bem-estar: Estética, Terapias Integrativas e Podologia. Os estudantes vão para o polo para ter a prática assistida por um especialista da carreira. No ano passado, também iniciamos com três cursos da área da saúde: Farmácia, Biomedicina e Nutrição. Nesses, as práticas laboratoriais começam ano que vem.

Muito se fala sobre o ensino híbrido como tendência no pós-pandemia. Por quê a UniCesumar decidiu apostar nesse modelo antes, há cinco anos?

Nos perguntavam muito: qual é o futuro da educação? É EAD ou presencial? Na época, respondíamos que os dois ou nenhum dos dois. Ou seja, na nossa visão, o futuro da educação é a educação mediada por tecnologia. O futuro é todo curso ter uma parte da sua carga horária integralizada por meio de encontros e estudos a distância. Para isso, é fundamental disponibilizar recursos e conteúdos online que fujam do instrucionismo, agregando objetivos de aprendizagem variados e significativos.

O que vemos hoje é o presencial em uma forte caminhada para o híbrido. Principalmente, devido às mudanças na legislação que permitem a oferta de 40% da carga horária EAD. E a nossa aposta é que a sobrevivência de muitas instituições pequenas, que são castigadas pela grande oferta de EAD, vai ser incorporar o 40% a distância e hibridizar seus cursos presenciais.

Como vencer a resistência dos conselhos, especialmente em cursos das áreas da Saúde e Engenharia, ao EAD?

A preocupação dos conselhos é com as práticas. Mas tem prática no EAD. As diretrizes curriculares são as mesmas para os cursos online, presenciais ou híbridos. Ou seja, a resistência que ainda existe não é fundamentada. É um erro atribuir à modalidade o insucesso ou a falta de qualificação de um profissional. O conselho tem um papel importante enquanto regulador da profissão, mas a regulação do ensino superior cabe ao MEC.

Entretanto, nós construímos uma caminhada muito importante com os conselhos. Nas engenharias, essa é uma questão mais pacificada. Na UniCesumar, por exemplo, trouxemos o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) para construir o projeto dos cursos da área. Na saúde, acho que vai ser o mesmo caminho: trazer as entidades do setor para construir um modelo em parceria, mostrando a quantidade de recursos que temos na formação profissional hoje.

curricularização da extensão

A curricularização da extensão também terá um papel fundamental para levar os alunos para a prática, certo?

A curricularização da extensão é uma grande oportunidade para as instituições de ensino trazerem a prática para dentro do curso de uma forma oficial, regulamentada. Experimentação e imersão são palavras-chave para pensar o futuro da educação.

Leia mais: Curricularização da Extensão abre espaço para projetos integradores

Qual impacto dessas ações em termos de empregabilidade?

A experimentação conta mais do que o título. Muitas vezes, o aluno entra em um curso superior mirando o dia de pegar o diploma. Hoje, interessa mais o que ele constrói durante a sua trajetória, conta mais o portfólio em que ele cria e documenta suas produções ao longo da graduação. O diploma é uma conquista no final. Mas quando você vai fazer uma entrevista, as empresas querem saber o que você fez na sua jornada acadêmica. Aí a modalidade não interessa mais.

Por fim, como a UniCesumar responde a pergunta tema do CIAED: evitar o instrucionismo e privilegiar a criatividade no EAD?

O instrucionismo foi a base da EAD quando a maioria das instituições de ensino começou a operar na modalidade. Há algum tempo, temos migrado para abordagens mais imersivas a partir da aplicação de metodologias ativas de aprendizagem. Hoje, mesmo na educação a distância 100% online é possível incluir atividades práticas mãos na massa que estimulam a criatividade dos alunos.

Na UniCesumar, todas as disciplinas contam com um projeto prático. Já os cursos híbridos têm o diferencial da experimentação através da sala de aula invertida. Nesse caso, o material é distribuído antes e se vale de diferentes objetos de aprendizagem. O aluno vai para o polo uma vez por semana para praticar. Inclusive nas disciplinas teóricas, as discussões em sala são para resolver problemas com base nos conceitos estudados previamente.

Leia mais: IES respondem ao tema do 27° CIAED: como privilegiar a criatividade no EAD?

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