Metodologias de Ensino

Como promover a aprendizagem ativa em uma sala de aula virtual

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Por Thuinie Daros e Ricardo Fragelli

As metodologias ativas deixaram de ser apenas uma tendência educacional. Com as aulas presenciais suspensas, em virtude da pandemia, tornaram-se uma realidade essencial. Afinal, as metodologias ativas constituem uma alternativa pedagógica capaz de desenvolver competências e habilidades almejadas em uma sociedade em intensa transformação.

Quando se oferta uma educação que prioriza a aprendizagem ativa, valoriza-se a experiência prática e experimentação. Isso por meio do exercício da criatividade, interdisciplinaridade e da utilização de ferramentas tecnológicas na sala de aula com foco no desenvolvimento de um mindset capaz de transformar ideias em realidade. Em outras palavras, capaz de propor soluções para problemas reais.

Para o estudante, esse conceito se traduz numa apropriação do conteúdo para compreender o mundo. E transpor esse conhecimento em algo concreto, que possa transformar a própria vida ou de sua comunidade.

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Para que as metodologias ativas sejam materializadas, é preciso que o professor, diante de um objetivo de aprendizagem claro, combine estratégias e recursos de modo que o estudante seja o centro da aprendizagem. E transforme a sala de aula, presencial ou virtual, em um verdadeiro ateliê de aprendizagem.

Isto é: um espaço voltado para criação na qual permite-se a experimentação, produção e manipulação de diferentes materiais para gerar artefatos significativos, por meio de novas práticas, novos recursos e novas maneiras de pensar e aprender. 

Mas como promover a aprendizagem ativa nas salas de aulas virtuais? Como fazer com que o estudante se mantenha ativo por meio de uma atividade remota?

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A primeira sugestão é a prática de lançar aos estudantes os Desafios Imersivos. Os desafios imersivos são comandos de atividades elaborados pelo professor no qual é constituído por uma narrativa que leve o estudante a se deparar com um problema real, assumir papeis e tomar decisões.

Em uma sala de aula virtual, ou em uma transmissão estilo “live”, o professor lança o desafio. Os estudantes apresentam a solução por meio do chat. Na sequência, o professor apresenta o conteúdo estabelecendo relações com as soluções apresentadas pelos estudantes. Se o professor sentir necessidade, pode ainda lançar o mesmo desafio novamente para verificar se, de fato, os estudantes compreenderam os elementos essenciais do conteúdo proposto.

Uso de desafio imersivos em uma live para estudantes de Licenciaturas. Crédito: reprodução.

Uso de desafio imersivos em uma live para estudantes de Licenciaturas. Crédito: reprodução.

Uma outra prática capaz de gerar muito engajamento na sala de aula virtual é a exploração de recursos a Realidade Aumentada, Realidade Virtual ou mesmo cenas em 360° ou objetos 3D. Com tantas opções disponíveis de forma gratuita, os professores não precisam mais ficar limitados ao espaço da sala de aula virtual. Estes recursos, afinal, permitem explorar o mundo virtualmente.

Como estratégia pedagógica, é fundamental que se elabore um desafio com uma narrativa que envolva os estudantes de forma que os remetem a resolução de problemas, a localizar algo relevante ou mesmo visualizar um fenômeno ou um sistema para então relacionar com o conteúdo proposto.

Apenas solicitar a exploração dos ambientes nem sempre pode gerar o engajamento esperado. Especialmente com estudantes da educação básica. Por isso a sugestão é que o comando da atividade convide os estudantes a realizarem as expedições, visitas em museus virtuais para conhecer algo relacionado ao conteúdo, criação de desafios do tipo ‘Ester Egg” – entre outras possibilidades que esta tecnologia associada a uma metodologia possibilita. Deixaremos, a seguir, algumas sugestões interessantes.

Museus para visitas virtuais

Aplicativos de Realidade Aumentada

Site do GeoGebra. Crédito: reprodução.

Site do GeoGebra. Crédito: reprodução. As simulações virtuais também têm sido uma alternativa pedagógica capaz de promover a aprendizagem ativa em salas de aulas virtuais. Elas são uma forma muito dinâmica de promover uma prática mão na massa por meio de uma experiência virtual relevante.

Quer atender o paciente com suspeita de covid-19, por exemplo? O simulador da Body Interact permite esta possibilidade.

E quem sabe você precise aplicar a lei de Faraday para gerar energia? O PHET da Universidade do Colorado permite essa e outras simulações virtuais, além de fornecer planos de aula interessantes.

MathNames

O Mathnames pode ser utilizado para desenvolver aulas mais interessantes por meio de uma apropriação do estudante. Nessa ferramenta, demonstrações matemáticas curiosas são geradas automaticamente com base em informações personalizadas dos estudantes.

Resultado de um mathname. Crédito: reprodução.

Resultado de um mathname. Crédito: reprodução.

Summaê

O Summaê é uma metodologia que consiste em um jogo de perguntas e respostas e todos utilizam chapéus e fantasias. As perguntas são formuladas pelos próprios estudantes por meio de vídeos criativos e o professor seleciona aquelas mais interessantes para a aula ao vivo.

O professor também convida outros professores para compor uma mesa de especialistas sobre o tema. A dinâmica segue uma ordem de apresentação da pergunta em vídeo, resposta em um tempo determinado, considerações de um dos professores da mesa de especialistas. No ensino remoto, é uma atividade bem interessante e humanizadora das relações.

No início da aula síncrona, o professor solicita que todos mostrem seus chapéus e fantasias. Caso seja realizada por meio de live, pode ser utilizada outra ferramenta para envio das fotos dos chapéus como WhatsApp ou um formulário Google.

Os vídeos são apresentados na transmissão e os estudantes enviam suas respostas por algum mecanismo de interação podendo ser, por exemplo, um formulário Google. Um especialista sugere uma possível solução para a questão apresentada e, a seguir, os estudantes podem discutir a solução apresentada ou soluções alternativas. É um ambiente de bastante descontração e criatividade, além de proporcionar liberdade para o diálogo e ancoragem de conceitos.

O site summaeh.com também pode ser utilizado para facilitar a organização dos vídeos.

Mesa de professores de um Summaê. Crédito: arquivo pessoal.

Mesa de professores de um Summaê. Crédito: arquivo pessoal.

Método Trezentos

Um ponto importante a ser destacado é que a colaboração pode apoiar em um maior engajamento, tanto no universo presencial quanto no digital. As metodologias baseadas em aprendizagem ativa e colaborativa podem ser, em especial, um caminho alvissareiro para o desenvolvimento de competências sociais.

Nesse sentido, o Trezentos é uma metodologia oriunda do ensino presencial, mas que pode ser aplicada no ensino remoto. Em nossas experiências, observamos que os estudantes se sentem mais visíveis e integrados por meio dos grupos potencialmente significativos formados pelo Trezentos.

A estrutura básica do Trezentos é constituída pela formação de grupos potencialmente colaborativo com base em uma avaliação de aprendizagem, em metas cuidadosamente planejadas e a reavaliação de aprendizagem com base no processo vivenciado utilizando, dentre outras, a avaliação entre pares.

No ensino remoto, um dos pontos mais sensíveis é a construção de um ambiente para o desenvolvimento das metas individuais e coletivas dos grupos. Uma solução simples e viável é a formação de grupos no WhatsApp (aplicativo de celular) e a divulgação de resultados, registros e demais mídias pelo Trello (www.trello.com).

No site do Trezentos (www.metodo300.com) há vídeos e ferramentas que podem auxiliar na aplicação da metodologia.

Conclusão

É preciso reconhecer que nosso desafio como educadores, neste momento de confinamento provocado pela pandemia, é superar o ensino remoto emergencial para uma prática mais organizada e sistematizada de modo que se forneça um aprendizagem ativa, capaz de gerar o engajamento necessário nas salas de aulas virtuais.

Naturalmente, o prolongamento na necessidade do distanciamento físico tem forçado professores de todo Brasil a repensarem suas atividades pedagógicas remotas. Diante desta necessidade, nos propomos a trazer algumas estratégias e recursos que já foram amplamente testados e que podem aplicados em ambientes virtuais e aumentar o repertório de práticas pedagógicas de sucesso das instituições escolares.


Sobre os autores

Thuinie Daros é Co-fundadora da Téssera Educação, head de Cursos Híbridos e Metodologias Ativas da Unicesumar EAD, palestrante, consultora e já publicou diversos livros na área da educação. É autora do livro A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo.

Instagram: https://www.instagram.com/thuiniedaros/?hl=pt

Linktree:  https://linktr.ee/ThuinieDaros

Ricardo Fragelli é professor da UnB, palestrante, escritor, engenheiro, mestre e doutor em ciências mecânicas. Com suas ideias, recebeu 11 prêmios nacionais de educação. Autor do livro Método Trezentos: aprendizagem ativa e colaborativa para além do conteúdo.

Instagram: https://www.instagram.com/ricardofragelli/

Fantasticalizando (canal no Youtube): www.fantasticalizando.com/youtube

Thuinie Daros
Thuinie Daros é head de cursos híbridos e metodologias ativas da Unicesumar. Cofundadora, consultora e palestrante na Téssera, é autora do livro A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para o aprendizado ativo (selo Penso).

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    1 Comentário

    1. É muito importante estou gostando,sempre a predemos mais um pouco.

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