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Aula ao vivo ou gravada: o que é melhor para a aprendizagem dos alunos?

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O ensino a distância de forma regulamentada cresceu 9,8% no primeiro semestre de 2021, segundo o Mapa do Ensino Superior 2021 do Instituto Semesp. Trata-se de um crescimento esperado. Desde antes da pandemia os especialistas projetam um crescimento anual da modalidade – a crise da covid-19 só acelerou o processo.

A discussão, portanto, não é mais sobre o momento ideal da instituição de ensino superior (IES) adotar o EaD. A questão é como ministrar essas aulas. Isso inclui o debate sobre o que é melhor: aula ao vivo ou gravada?

Pode ser difícil tomar parte no debate. Para auxiliar a tomada de decisão, o portal Desafios da Educação esclarece, a seguir, as vantagens e desvantagens de cada um dos métodos – e o que a IES precisa levar em consideração na hora de escolher.

Aula gravada ou aula ao vivo? Na verdade, ambas são importantes e necessárias para a aprendizagem. Crédito: Freepik

Experiência com aulas gravadas (assíncrona)

“A principal vantagem da aula gravada é, por ser um recurso assíncrono, a possibilidade do acesso a qualquer momento”, explica a professora Thuinie Daros, autora do livro recém-lançado A Sala de Aula Digital: Estratégias Pedagógicas para Fomentar o Aprendizado Ativo, On-Line e Híbrido (Penso, 2021).

Por ser uma aula gravada, as IES podem utiliza-la a favor do estudante. Como vídeos com edições mais elaboradas que favorecem o processo de aprendizagem. Além do uso de diferentes cenários e gravações externas para a realização de aulas práticas.

O aluno ainda pode acessar as aulas no ritmo do próprio aprendizado – pausando ou acelerando o vídeo.

Outro fator que estimula as aulas gravadas é a facilidade e o imediatismo. É possível inserir gráficos e fazer várias edições no vídeo. Mas também é algo que pode ser feito sem muitos detalhes. É possível, inclusive, que o material gravado seja disponibilizado no sistema pouco depois da finalização da aula.

Aqui, o ponto negativo das aulas gravadas é a falta de interação. Embora o aluno possa assistir a lição gravada quantas vezes quiser, o professor não está lá para fornecer feedback ou responder dúvidas imediatas.

Leia mais: 8 dicas para o professor gravar vídeos ou tutoriais em casa

Experiência com aulas ao vivo (síncrona)

Por outro lado, as aulas síncronas podem ser transmitidas para todos os polos de apoio presenciais, podendo ser acessadas por computadores ou dispositivos móveis (celular, tablets etc.).

A principal vantagem desse método é a possibilidade de interação com professores e colegas em relação aos conhecimentos abordados durante a transmissão. “Por ser em tempo real, os estudantes podem lançar dúvidas, insights, compartilhamentos de ideias e situações vivenciadas, enriquecendo o processo de aprendizagem”, diz Daros.

A principal desvantagem das aulas síncronas é o problema de conectividade. Alguns alunos podem não ter uma boa internet ou até mesmo morar em uma região com baixo alcance. Outro ponto negativo é que alguns alunos são muito tímidos ou não conseguem se concentrar para participar das sessões ao vivo.

E mais: tanto o professor quanto o aluno estão sujeitos a imprevistos durante a transmissão ao vivo. Um problema inesperado, portanto, pode atrapalhar a aula.

Leia mais: Video Based Learning: como funciona essa metodologia de ensino

Como escolher a abordagem

Escolher entre uma ou outra pode ser difícil. Por essa razão, Thuinie Daros diz que não há necessidade de fazer uma escolha. Para ela, os dois formatos são recomendados aos estudantes como objetos de aprendizagem. “Se forem bem trabalhados, estes recursos pode ser um diferencial competitivo para uma instituição de ensino superior”, afirma.

Uma das estratégias mais adotadas é intercalar aulas gravadas com momentos ao vivo. Muitas vezes, as lives funcionam para tirar dúvidas ou até mesmo fazer uma apresentação expositiva. Normalmente, esses encontros ao vivo ficam disponíveis depois para quem não pôde acompanhar.

Para aulas ao vivo, as instituições podem focar na interação e motivação e na participação dos estudantes. Utilizar rotinas de pensamento, quizgames, desafios imersivos, quadros colaborativos, entre outros, fomentando a construção da aprendizagem de forma colaborativa.

O encontro em tempo real promove relacionamento com a turma, mais proximidade com do professor com alunos, oportunidade de interagir e networking com profissionais convidados para compartilhamento de experiência.

Para as aulas gravadas, pode ser priorizado as experiências de aprendizagem como websérie, solução de problemas reais e demonstração de experimentos. E, ainda, imersões em ambientes profissionais e atividades tutorializadas para compor a aprendizagem e contribuir para o conhecimento do estudante.

Leia mais: O que você precisa saber sobre acessibilidade nas aulas virtuais

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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