Ensino Básico

Como superar os desafios da alfabetização e do letramento em tempos de ensino remoto

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No Colégio Franciscano Pio XII, a pandemia forçou ajustes no currículo. Crédito: Divulgação.

Os níveis de letramento e de alfabetização ainda são muito baixos na população brasileira. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, o Brasil tem 11 milhões de analfabetos – um grupo do tamanho da população do Paraná. São pessoas de 15 anos ou mais que nem sequer são capazes de ler e escrever um bilhete simples.

Entre as crianças, os números melhoram. Mas nem tanto.

Embora tenha praticamente erradicado o analfabetismo absoluto nos mais novos, o Brasil ainda luta contra o chamado analfabetismo funcional – característica de quem é capaz de ler e escrever, mas tem dificuldade em entender e interpretar textos, ironias e outras sutilezas.

Os dados mais recentes da Avaliação Nacional de Alfabetização, de 2016, apontam que apenas 45,3% das crianças aos 8 anos de idade (terceiro ano do ensino fundamental) tinham aprendizagem adequada em leitura e 66,1% em escrita, segundo a BBC Brasil.

Não bastasse os históricos desafios da alfabetização e do letramento, o ensino remoto decorrente da pandemia acrescentou uma nova camada de dificuldade. Com salas de aula virtuais, os professores tiveram que reinventar o jeito de ensinar a ler e a escrever.

Alfabetização na era do ensino remoto

Enquanto o ensino remoto persistir na educação fundamental, o processo de alfabetização vai incluir questões teóricas e práticas, como aulas virtuais e presença dos pais no processo.

O resultado vai depender do contexto escolar. Afinal, os desafios não afetam todos igualmente. Entre escolas públicas e privadas, a dificuldade tende a ser maior para as estatais – pois os mais pobres, em tese, desfrutam de piores condições de moradia, de trabalho e de acesso à tecnologia. De toda forma, todo case bem sucedido serve de inspiração.

No Colégio Brasil Canadá – instituição bilíngue que oferece educação infantil e fundamental em São Paulo, no Rio de Janeiro e Distrito Federal –, a alfabetização jamais havia sido pensada de forma digital. “Nunca pensamos em trabalhar com alfabetização apenas nesse formato, mas foi um momento de bastante aprendizagem para todos”, reconhece Bruna Elias, diretora pedagógica da instituição. “Mesmo a distância, desenvolvemos algumas estratégias que também contemplaram o trabalho com alfabetização, e muitas delas foram satisfatórias.”

Leia mais: Como fazer letramento digital dentro e fora da sala de aula

A professora Marta Christina Barros Bello, que atua numa escola pública de São Luís (MA), diz que suas aulas remotas incluem apresentações em slides, vídeos, áudios, leituras, jogos e produções artísticas. O objetivo é oferecer uma aula participativa, divertida e com os tópicos necessários.

“Acredito no professor como um curador. Então é preciso selecionar bem os conteúdos, planejar o uso do tempo, disponibilizar fontes de pesquisa, estimular a oralidade e a expressão artística, ser um bom ouvinte e nunca deixar a criança sem resposta, pois é uma relação de confiança e respeito”, contou Bello, coordenadora local da Rede Conectando Saberes, ao Boletim do Professor, newsletter da Fundação Lemann.

A professora não teve tempo para conhecer a turma antes da pandemia. Prestes a começar o ensino digital, porém, marcou uma conversa com os pais para explicar a necessidade de acompanhamento. “Alfabetizar já é difícil presencialmente e não foi diferente com as aulas remotas.”

Leia mais: A alfabetização e o letramento no Brasil, segundo Magda Soares

Enquanto o ensino remoto persistir na educação fundamental, o processo de alfabetização vai incluir questões teóricas e prática

Enquanto o ensino remoto persistir na educação fundamental, o processo de alfabetização vai incluir questões teóricas e prática. Crédito: Consed.

Apoio dos pais é fundamental

No Colégio Franciscano Pio XII, que oferece projetos inovadores na área da educação, como Middle e High School, programa bilíngue, educação financeira e socioemocional em São Paulo (SP), a pandemia também forçou ajustes no currículo.

“Temos aulas online com o grupo todo, atendimentos individuais, aulas de apoio para pequenos grupos e aulas com salas simultâneas. Todos esses arranjos foram sendo planejados para dar uma atenção especial, para conseguir acompanhar esse percurso da criança e oferecer um estímulo adequado, diz Renata Weffort, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental I.

Além de selecionar tecnologias educacionais, a instituição buscou junto aos pais os melhores caminhos para que o processo de alfabetização desse certo. O acompanhamento é feito através de pesquisas semanais enviadas às famílias.

“Acreditamos que esse olhar, essa parceria com as famílias, ler as pesquisas semanalmente, refletir sobre aquilo que estamos fazendo e olhar sempre para a criança nos permitiu realizar as devidas adaptações”, diz Weffort.

Ela ainda destaca o apoio das famílias nos bastidores: organizar o material, preparar o espaço de estudo, auxiliar na lição de casa. “Esse dia a dia não tem sido fácil e a ajuda dos pais tem sido magnífica.”

De fato, não só na alfabetização em tempos de ensino remoto: os pais são importantes aliados em todas as fases da vida escolar de uma criança. Essa talvez seja a principal chave para o sucesso do desenvolvimento do aluno.

Leia mais: O papel da família no letramento e na alfabetização

Redação Pátio
A redação da Pátio – Revista Pedagógica é formada por jornalistas do portal Desafios da Educação e educadores das áreas de ensino infantil, fundamental e médio.

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1 Comentário

  1. Boa Noite! Gostaria de saber alguns artigos, ou documentos atuais sobre A Alfabetização e Letramento em tempos de Ensino à distância na educação infantil em escola pública turminhas de 3 a 4 anos de idade, Atenciosamente eu agradeceria muito pra me reforçar meu estágio online em tempos de pandemia, um abraço aguardo ansiosa,

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