Ensino Superior

Unindo forças: como instituições de ensino superior ajudam no combate à pandemia

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Instituições de ensino superior têm um papel social relevante – o que ficou escancarado nos inúmeros esforços no combate à pandemia

Quando as aulas presenciais foram canceladas em 2020, algumas instituições de ensino superior (IES) sabiam que seus alunos não ficariam em casa por muito tempo. Mesmo sem previsão para um retorno à sala de aula, centenas de universitários voltaram às instituições. O motivo: ajudar no combate à pandemia da covid-19.

Não é de hoje que as IES prestam serviços à comunidade. No entanto, poucas vezes se viu esforços comparados aos de agora.

A serviço da comunidade

Entre fevereiro e março de 2021, o Brasil viveu o pior momento desde o início da pandemia. No auge do recrudescimento chegou a ter 16 estados da federação em colapso – com taxas de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) superiores a 90%.

Uma das situações mais graves ocorreu no Rio Grande do Sul, cuja taxa de ocupação na rede hospitalar pública chegou a 110%; na privada, 134%. Diante da calamidade, a Urcamp (Centro Universitário da Região da Campanha), localizada na cidade de Bagé (RS), decidiu ampliar a quantidade de leitos clínicos do seu hospital universitário.

O hospital, que é mantido pela Fundação Attila Taborda (FAT), disponibiliza, desde março, 10 leitos clínicos exclusivos para casos confirmados de covid-19. A ação é fruto de uma parceria estabelecida entre a FAT, o governo do Rio Grande do Sul e a prefeitura municipal de Bagé.

Leia mais: Como promover atividades práticas seguras no ensino superior

À semelhança da Urcamp, a Unifeob também foi pra linha de frente. Mas de forma distinta. O centro universitário de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, disponibilizou os laboratórios de informática para o setor responsável pelo monitoramento de pacientes com covid-19. A ação contou com a ajuda de 40 alunos do último ano do curso de Enfermagem.

Além disso, foi instalado um laboratório de campanha na estrutura da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São João da Boa Vista. E ainda: a IES segue a produção de álcool 70% (líquido e em gel), que desde o ano passado é doado à Santa Casa de Misericórdia da cidade.

“A parceria firmada entre Unifeob e Abengoa [empresa que doou grande parte da matéria-prima utilizada] mostra que podemos sim combater essa pandemia unindo forças”, ressalta a docente e responsável pelos laboratórios acadêmicos, Daniele Tonon.

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Unifeob produziu e doou álcool em gel para Prefeitura de São João da Boa Vista. Divulgação: Divulgação

Uma experiência profissional e social

De acordo com a Portaria do MEC N° 356, os alunos dos cursos da área da saúde estão liberados para atuar no combate à pandemia da covid-19 desde 20 de março de 2020. Segundo o MEC, a carga horária desempenhada será contabilizada como o estágio obrigatório necessário para a conclusão dos cursos.

Quatro dias depois da publicação no Diário Oficial da União, a Unicesumar convidou os alunos de Enfermagem e Medicina para realizar atendimento voluntário à população da cidade de Maringá (PR).

Mais de 80 estudantes se colocaram à disposição. É o caso de Giordano Carlo Paiola, 32 anos, do quarto ano de Medicina. Segundo ele, a experiência tem sido enriquecedora.

Participar de um projeto tão grande, envolvendo vários atores da saúde e com um propósito tão importante, certamente é uma experiência que ficará marcada, não só no currículo, mas também na vida.

Giordano Carlo Paiola, estudante de Medicina da Unicesumar.

Paiola também participou de uma campanha de testagens de covid-19 em bairros De Maringá. A ação, que fez parte do convênio com a prefeitura para levantar dados sobre o coronavírus no município, contou com 15 estudantes e cinco professores.

O estudante de Medicina conta que aprender na prática como funciona a coleta e o tratamento de dados faz dele um profissional mais capacitado. “O contato olho no olho, saber amenizar a ansiedade do outro e conscientizar são experiências que vão muito além dos livros e nos sensibiliza para a realidade”, diz Paiola ao Desafios da Educação.

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Alunos de medicina da Unicesumar realizam atendimento domiciliar voluntário

Alunos de medicina da Unicesumar realizam atendimento domiciliar voluntário. Crédito: Divulgação

 

Distribuindo esperança

Ser vacinado é (ou deveria ser) um desejo universal atualmente. Muitas instituições de ensino realizam esse desejo. Uma delas é o Senac São Paulo, onde docentes e alunos de 38 unidades da capital paulista são voluntários nas ações de imunização.

Segundo a instituição, os alunos passaram por uma capacitação virtual sobre as medidas de biossegurança, higienização das mãos e dinâmica do plano de imunização municipal e estadual. Os estudantes e docentes da instituição de ensino foram vacinados no primeiro dia de campanha

Todas as outras três instituições de ensino citadas nessa reportagem – Urcamp, Unifeob e Unicesumar – também estão participando das campanhas de vacinação de suas cidades.

Além de prestar serviço à sociedade em momento crítico, os voluntários adquirem muito conhecimento prático. “Os ganhos em participar da ação de imunização são inúmeros”, diz Ana Carolina Bhering, coordenadora da área de enfermagem do Senac São Paulo.

O aprimoramento das habilidades técnicas dos alunos ocorre concomitantemente ao fortalecimento das relações entre IES e serviços de saúde públicos e privados. “Sem dúvida, a participação dos alunos possibilitou alcançar um número maior de pessoas imunizadas nos postos de vacinação”, afirma Bhering.

Ajudar em demandas urgentes como a pandemia, assumindo protagonismo social: é assim que essas instituições de ensino superior – e tantas outras organizações – estão formando profissionais competentes e humanitários.

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