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IES respondem ao tema do 27° CIAED: como privilegiar a criatividade no EAD?

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FORTALEZA (CE) – O 27º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância (CIAED) terminou na quarta-feira (24). Durante o evento, a reportagem do Desafios da Educação questionou cinco gestores de instituições de ensino superior (IES) sobre o tema desta edição: como evitar o instrucionismo e privilegiar a criatividade na EAD?

O Diretor de Educação a Distância da Cruzeiro do Sul Educacional, Carlos Fernando Araújo Júnior, no estande da IES durante o CIAED.

Carlos Fernando Araújo Júnior – Diretor de Educação a Distância da Cruzeiro do Sul Educacional

“Em muitos casos, o modelo de EAD é linear, o que não estimula as competências do século 21, como comunicação, pensamento crítico e resolução de problemas. Hoje, temos um perfil de alunos mais jovens que exigem um novo posicionamento da EAD. Você não engaja apenas entregando conteúdo. Você precisa criar um contexto que considere o aluno em suas dimensões sensíveis, emocionais e críticas – não apenas cognitivas. 

A resposta também passa por criar um espaço mais coletivo, ou seja, uma ideia de comunidade na EAD. Antes, era o aluno estudando sozinho. Agora, estamos indo para um caminho mais interativo, com mais relacionamento e engajamento através de experiências significativas. Por isso, na Cruzeiro do Sul, trabalhamos com um modelo baseado em três pilares: engajamento, relacionamento e experiência.” 

Karen Sasaki – Gerente Acadêmica de Educação a Distância da Universidade Tiradentes (UNIT) 

“Passamos por diferentes fases na consolidação da EAD. Cada vez mais, entramos em uma perspectiva que vai além do conteúdo. O conteúdo é relevante, mas precisa estar acompanhado de soluções que gerem experiências diferentes para o aluno. São experiências que integram tecnologia, corpo docente, conteúdo e dimensões socioemocionais. E a criatividade é a mola propulsora que conecta todas essas engrenagens. 

Além disso, em breve, não vai mais existir diferenciação entre presencial e a EAD. Quando privilegiarmos a aprendizagem, a questão da modalidade vai se dissolver em estratégias híbridas, com conteúdo de qualidade, tecnologia responsiva e uso de dispositivos móveis que dão mais flexibilidade para os alunos. Nesse caso, o que importa é desenvolver competências cognitivas e procedimentais, independente se online ou presencialmente.”

Leia mais: 27° CIAED: impacto da tecnologia nos cursos de Direito está só começando

Fabrício Lazilha – Diretor de EAD e Cursos Híbridos da UniCesumar 

“O instrucionismo foi a base da EAD quando a maioria das instituições de ensino começou a operar na modalidade. Há algum tempo, temos migrado para abordagens mais imersivas a partir da aplicação de metodologias ativas de aprendizagem. Hoje, mesmo na educação a distância 100% online é possível incluir atividades práticas mãos na massa que estimulam a criatividade dos alunos. 

Na UniCesumar, todas as disciplinas contam com um projeto prático. Já os cursos híbridos têm o diferencial da experimentação através da sala de aula invertida. Nesse caso, o material é distribuído antes e se vale de diferentes objetos de aprendizagem. O aluno vai para o polo uma vez por semana para praticar. Inclusive nas disciplinas teóricas, as discussões em sala são para resolver problemas com base nos conceitos estudados previamente.”

Jeferson Pandolfo – Diretor de Educação Digital da Unicarioca  

“Mesmo com um ambiente virtual de aprendizagem (AVA) recheado de tecnologia – com laboratórios virtuais, calendário com cronograma de atividades, entre outras ferramentas – precisamos dar conta de uma série de outras dimensões para auxiliar o aluno a se desenvolver e ingressar no mercado de trabalho. Tem que haver um equilíbrio entre conteúdo, suporte e competências que o aluno precisa adquirir. 

É preciso se aproximar do aluno, criando critérios para se relacionar de maneira diferente com pessoas que têm necessidades diferentes. Na Unicarioca, temos réguas de relacionamento para manter um contato constante. Além disso, os momentos síncronos são utilizados para criar uma relação maior entre professores e alunos e para trazer conteúdos relevantes que desafiem o estudante –  essa é a chave para o engajamento.” 

Luis Paulo Soares Munhoz – Coordenador do Programa de EAD da Universidade de Caxias do Sul (UCS)

O coordenador do Programa de EAD da UCS, Luis Paulo Soares Munhoz, participou do 27º CIAED.

“Quando olhamos para a aprendizagem, entendemos que toda interação gera um aprendizado, seja ele perceptível ou não. Cabe às IES se perguntarem qual tipo de aprendizagem e quais competências querem desenvolver nos alunos. E, a partir disso, definir quais ferramentas e metodologias vão utilizar para atingir o objetivo. Na UCS, nos perguntamos constantemente como queremos contribuir para a sociedade através do perfil do egresso.

Ao mesmo tempo, é preciso abandonar a ideia do professor como dono do conhecimento, como centro das atenções o tempo inteiro, pois é isso que leva ao instrucionismo. Em contrapartida, quando o professor assume o papel de moderador, curador e provocador, é que a criatividade é privilegiada. Essa é uma construção que passa por modelar novos processos na EAD, principalmente no que diz respeito à formação docente.”

Leia mais: 27º CIAED aponta caminhos até uma jornada de aprendizagem guiada por tecnologia

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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