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O impacto do ensino superior no mercado de trabalho do futuro

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Enquanto 69% dos gestores acadêmicos acreditam estar preparando adequadamente os alunos para o mercado de trabalho, apenas 39% dos empregadores concordam com a afirmação. Entre os recém-formados, o índice é de 62%. Os dados são de um estudo recente da consultoria Educa Insights.

A pesquisa ouviu 327 pessoas: recém-formados (308), empregadores (68) e gestores universitários (51). Apesar da amostra diminuta, as divergências de opiniões acedem um alerta sobre uma suposta ineficiência da formação – e o impacto disso na empregabilidade do egresso.

Se as instituições de ensino superior (IES) não estão preparando os alunos para suprir as necessidades do mercado, os gestores precisam repensar, de forma urgente, as atuais estratégias de ensino.

O mercado de trabalho exige cada vez mais habilidades socioemocionais e as IES precisam ensiná-las aos alunos. Crédito: Shutterstock

Ensine novas habilidades

O relatório “The Future of Jobs”, do Fórum Econômico Mundial e divulgado em 2020, define dez habilidades que estarão em alta no mercado de trabalho até 2025.

As habilidades que estarão em alta são:

  1. Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem;
  2. Criatividade, originalidade e iniciativa;
  3. Inteligência emocional;
  4. Liderança e influência social;
  5. Pensamento analítico e inovação;
  6. Pensamento e análise críticos;
  7. Projeto e programação de tecnologia;
  8. Raciocínio, resolução de problemas e ideação;
  9. Resiliência, resistência ao estresse e flexibilidade;
  10. Solução de problemas complexos.

Segundo o diretor da Plataforma A, Gustavo Hoffmann, as habilidades técnicas, que são muito trabalhadas nas graduações, perderão relevância. “A inteligência artificial irá substituir boa parte dessas competências.”

Foi o que apontou um estudo do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa mostrou que, até 2026, 54% dos empregos formais do país poderão ser ocupados por robôs e programas de computador. Ou seja, os humanos tendem a ser substituídos por máquinas em mais da metade das ocupações atuais.

Dessa forma, as IES que continuarem ensinando somente competências técnicas irão formar centenas, milhares de desempregados do futuro. O alento é que esse mesmo relatório da UnB aponta que a tecnologia tem enorme potencial para criar novos trabalhos.

E quem preencherá esses postos? Profissionais com habilidades socioemocionais – como as definidas pelo Fórum Econômico Mundial.

Esse debate, contudo, não é necessariamente sobre criar disciplinas de habilidades socioemocionais. “Essas competências precisam ser organizadas no currículo de forma transversal, que permeie todas as outras disciplinas”, explica Hoffmann.

As instituições de ensino superior precisam usar metodologias ativas de aprendizagem dentro da sala de aula. É importante ensinar competências técnicas, mas de uma forma que também coloque o aluno para desenvolver as habilidades sociais, comportamentais e emocionais exigidas pelo mercado.

Leia mais: Por que é tão “hard” ensinar soft skills?

Aproxime a IES do mercado

A diferença de pensamento entre os gestores e os empregadores sobre a qualidade da formação dos alunos revela o quanto as IES estão distantes do mercado de trabalho. E isso é um problema.

Ainda de acordo com a pesquisa da Educa Insights, 55% dos recém-formados não conhecem as competências definidas pelo Fórum Econômico Mundial. No entanto, 84% acreditam que elas sejam importantes em todas as profissões.

Mas como os alunos aprenderão essas habilidades se não há quem as ensine adequadamente?

É por isso que as IES precisam ouvir o mercado e entender suas demandas. Uma forma de fazer isso é através de projetos integradores. Neles, empresários e membros da comunidade compartilham problemas e desafios com o corpo acadêmico. Os alunos, por sua vez, tendem a trabalhar em busca de soluções.

“Trabalhar o currículo a partir de problemas do mundo real faz com que a aprendizagem faça mais sentido”, explica Hoffmann. Além disso, formará profissionais mais capacitados para as demandas do mercado no século 21.

Leia mais: 10 profissões que ainda não existem – mas que você precisa conhecer

Algumas IES entenderam o recado e já se destacam com o desenvolvimento de ações para elevar a empregabilidade dos alunos. Tanto na paranaense PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) quanto na gaúcha Univates (Universidade do Vale do Taquari) os setores de carreiras há anos se tornaram áreas estratégicas.

O PUC Carreiras foi fundado em 2008 e tinha o foco apenas na gestão de estágios e o serviço de orientação profissional. Após reformulação, em 2018, ampliou a orientação de estágio e de carreiras, além de passar a promover workshops sobre temais atuais. O setor criou, ainda, umaa disciplina “Eu, não robô – pense fora do código” para desenvolver habilidades socioemocionais nos estudantes.

A central de carreiras da Univates também integrou orientações sobre carreira e mercado à grade curricular. Tradicionalmente, o setor fazia tanto a divulgação de vagas de emprego como a ligação entre o aluno e a empresa. Segundo o portal do Grupo A Hora, o serviço foi desativado em 2019 para dar lugar à Plataforma de Carreiras.

Atualmente, a ferramenta oferece uma “trilha de carreira” que envolve o aluno do primeiro ao último semestre. Dessa forma, a plataforma da Univates proporciona um ambiente mais dinâmico, permitindo um relacionamento mais próximo entre o mercado de trabalho e os alunos dos cursos técnicos, de graduação presencial, ensino a distância, pós-graduação e mesmo diplomados.

Leia mais: As previsões de Yuval Harari sobre educação e trabalho em 2050

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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