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Liderança a distância: como fazê-la na área da educação

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*Com colaboração de Katia Coelho.

Para alguns profissionais, era impossível imaginar uma liderança a distância. Apesar do trabalho remoto ser cada vez mais comum, a pandemia da covid-19 e a necessidade de distanciamento social impulsionou o modelo em diversos setores. Na educação não é diferente.

O distanciamento físico impulsionou liderança a distância de gestores e líderes empresariais. Crédito: Pexels.

O distanciamento físico impulsionou liderança a distância de gestores e líderes empresariais. Crédito: Pexels.

Como muitos professores, que se esforçam para garantir a continuidade das atividades pedagógicas, os gestores também se adaptam para dar continuidade às operações. Coordenar instituições de ensino presencialmente nunca foi fácil. Liderar a distância, então, pode parecer ainda mais desafiador.

É importante ter clareza sobre o papel de um líder, especialmente em situação de crise. Afinal, o resultado da equipe reflete o modo como ela é liderada. Depois, precisamos saber que o exercício da liderança nem sempre se materializa tal qual indicado nos construtos teóricos disponíveis.

Leia mais: 5 conselhos para coordenadores pedagógicos durante a Covid-19

Considerando a nossa prática em liderança a distância na área da educação, reunimos alguns princípios e sugestões de como garantir esta tarefa em tempos de distanciamento físico.

Não basta só reuniões virtuais

Tão logo o distanciamento físico foi indicado para atenuar a propagação do coronavírus, começamos a ver diversos registros de equipes que estavam realizando reuniões remotamente.

Como toda novidade, a experiência é bem motivadora. Mas se estas reuniões virtuais não forem devidamente planejadas, como qualquer reunião, corre-se o risco de perder o foco na ação. E a produtividade diminui.

Então, saiba que apenas disponibilizar uma ferramenta para os encontros virtuais (sem o foco na ação e resultado) não será suficiente. Em tempos de trabalho remoto, contextualize: procure dar mais informações do que parece ser necessário. Isso não significa que precisa escrever um grande texto para cada atualização de status de uma tarefa, mas é importante garantir que toda a equipe tenha acesso ao detalhamento das informações, para garantir a clareza na execução de uma atividade.

Para o sucesso na condução das suas equipes pedagógicas será preciso, entre outras coisas, uma boa comunicação verbal ou textual, permitir acesso ao que os profissionais precisam, investir tempo de qualidade na comunicação, centralizar as informações em um único espaço e, principalmente, estar presente e disponível – algo fundamental.

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Crie uma cultura remota

Estamos atuando em um cenário altamente complexo, nas quais a flexibilidade, capacidade de adaptar e a resolução de problemas são competências que estão sendo acionadas rapidamente. O momento exige a criação da cultura remota e uma mudança de comportamento que ajude a superar diversos desafios apresentados pelas instituições de ensino.

Temos que usar a criatividade, criar espaços de possibilidades, fazer diferente, utilizar novas ferramentas, aplicar novas ideias e soluções para mantermos nossas atividades em dia. O distanciamento social nos tornou mais corajosos para experimentar novas propostas na educação.

Como líder, é importante encorajar o mindset da disrupção. Para isso, valorize as ideias e soluções apresentadas por sua equipe. Crie momentos de socialização de boas práticas. Divulgue os elogios dos estudantes em relação ao trabalho dos professores. Não só mantenha os programas de formação continuada ativos: adapte-os para a realidade atual.

Temos que ser um exemplo. Se os professores estão se adaptando, também temos como líderes que nos reinventar.

Liderança a distância; pandemia levou gestores educacionais mudarem a suas formas de liderar. Crédito: Pexels.

Liderança a distância; pandemia levou gestores educacionais mudarem a suas formas de liderar. Crédito: Pexels.

Pratique empatia

As pessoas têm ritmos diferentes e precisamos estar atentos a forma como elas reagem diante das situações. Rubem Alves no seu texto “A Escutatória” já nos alertava sobre a importância de ouvir. Ele diz: “Todo mundo quer aprender a falar, mas ninguém quer aprender a escutar ”.

Ou seja, precisamos nos colocar no lugar do outro. Precisamos ouvir, estarmos atento.

Ouvir é uma excelente forma de estar junto. Empatia é uma palavra muito ouvida atualmente, mas que recebe múltiplas interpretações.

De forma simples, empatia significa se colocar no lugar do outro. Mesmo entendendo o significado, é difícil pratica-la no dia a dia, pois depende de como administramos alguns instintos básicos como impor nosso ponto de vista, reagir, julgar e responder instantaneamente.

Leia mais: O valor da empatia na educação digital – antes durante e depois da pandemia

Confie na sua equipe

Um líder é responsável por garantir as melhores condições de trabalho à equipe. Por isso, autonomia, flexibilidade e confiança são pilares da liderança remota. Cada vez mais é preciso estar junto. A confiança da equipe em seu gestor, e vice-versa, é fundamental à conexão necessária para a realização do trabalho e ao alcance dos objetivos.

Sonia Esteves, presidente da DMRH, empresa pertencente ao Grupo Cia de Talentos, disse à revista Exame que a confiança gera esperança. A esperança produz magia, paixão, coragem. (…) Assim, forma-se uma legião de talentos confiantes, trabalhando com a certeza de que conquistarão os objetivos”.

Como gestor, procure ter uma boa relação e confiança com todos os membros da sua equipe.

Adote a gestão por meio de indicadores

Uma das principais tarefas da gestão é juntar esforços para um objetivo comum. Por isso, o controle, o monitoramento, o acompanhamento e a avaliação é de extrema relevância.

É preciso estar atento à produtividade da equipe. Não se pode perder a “batida de bumbo” das atividades que devem ser realizadas. Os membros da sua equipe estão sem esta supervisão direta, para isso, adote formas de avaliar como as tarefas estão sendo executadas e se estão de acordo com a encomenda feita pelos gestores.

Formulários, gráficos de produtividade, planilhas de controle e softwares de gestão são alternativas interessantes para que o líder consiga a auxiliar no direcionamento e correção das rotas se necessário. Adotar uma cultura de indicadores já é fundamental para qualquer gestão. Em tempos de trabalho remoto, isso fica ainda mais relevante e certamente auxiliará de forma substancial no alcance dos objetivos.

A nossa dica é cuidar para que este acompanhamento não seja feito de forma excessiva e burocratizada – para que os membros da equipe não percam mais tempo preenchendo formulários do que executando tarefas.

Leia mais: Formados em faculdades privadas são maioria em cargos de liderança

Thuinie Daros (à esquerda) e Katia Coelho. Crédito: Reprodução.

As autoras Thuinie Daros (à esquerda) e Katia Coelho. Crédito: Reprodução.

Cuide da experiência do estudante

Como líder educacional é preciso cuidar da experiência dos estudantes para potencializar ao máximo as suas formas de aprendizagem. Criar condições motivadoras faz a diferença na criatividade, na inovação e na construção de uma educação através da nova sala de aula.

Este esforço das instituições educativas em ofertar uma experiência de aprendizagem diferenciada ao estudante surge da necessidade de atender o novo perfil comportamental, social e cognitivo. Com tantos recursos disponíveis, é inadmissível ofertarmos apenas a aula expositiva, tendo a memorização como único recurso de aprendizagem ao estudante.

Neste sentido, ter um portfólio de possibilidades para atender o objetivo de aprendizagem é muito importante.

A variedade de objetos de aprendizagem possibilitará que o seu grupo de docentes possa de fato assumir o papel de curador da aprendizagem. Isso significa que o professor selecionará o que é de maior relevância e irá oferecer ao estudante o que há de melhor em determinado tema.

Vídeos, textos, desafios reais, bem como outras atividades disponíveis, podem ser selecionados. Com tantas informações disponíveis, a curadoria de conteúdo feita pelo docente é essencial para o aprendizado do estudante.

Levando em consideração a necessidade da liderança a distância, experiência relativamente nova na área educacional, acreditamos que muitos são os desafios que ainda enfrentaremos neste momento. A prática da gestão precisa contar com a tomada de decisões coletivas, possibilidades de trocas entre os pares, organização e monitoramento do trabalho da equipe.

Além disso, é necessário um olhar diferenciado na forma de criar condições para o compartilhamento de novas ideias e soluções. É preciso fomentar a sensação de pertencimento dos colaboradores. Fazer com que eles compreendam que neste momento tão delicado estamos juntos em prol de um objetivo comum: garantir a educação de qualidade.


Sobre a autora

Katia Coelho é diretora de graduação da EAD Unicesumar e avaliadora do INEP/MEC. Aborda assuntos sobre educação a distância, gestão na EAD, formação docente e legislação educacional, docência e tutoria na EAD.

Thuinie Daros
Thuinie Daros é head de cursos híbridos e metodologias ativas da Unicesumar. Cofundadora, consultora e palestrante na Téssera, é autora do livro A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para o aprendizado ativo (selo Penso).

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