Ensino Básico

Em novo livro, Jo Boaler apresenta modelos de ensino de matemática

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matemática em sala de aula

Estudo: Em vez de fórmulas e repetições, Jo Boaler sugere aos professores de matemática que estimulem os alunos a desenvolver seus próprios métodos de aprendizagem. Crédito: Freepik.

Após o sucesso de Mentalidades matemáticas na sala de aula, a pesquisadora de matemática em Stanford, Jo Boaler, decidiu arriscar um segundo volume. Publicado no Brasil pelo selo Penso, o livro traz novas perspectivas do ensino da disciplina por meio da visualização, dos jogos e da investigação.

Jo Boaler é conhecida mundialmente por defender que todos podem aprender matemática em altos níveis, entrelaçando suas explicações com as descobertas mais recentes da neurociência. A seguir, ela fala sobre seu novo livro ao portal Desafios da Educação.

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O que os leitores podem esperar do segundo volume do Mentalidades matemáticas na sala de aula? As grandes ideias matemáticas neste volume incluem: pensar em cubos, estimativa com frações, multiplicação de frações visualmente, divisão de frações, entre outros.

O livro segue mesmo formato de visualização, jogos e investigação do primeiro volume. Na parte visual das tarefas, os alunos continuam responsáveis por criar seus próprios métodos para entender conceitos matemáticos importantes e, por meio da visualização, acabam ativando diversas partes do cérebro. Isso os ajuda a aprofundar o conhecimento.

Na fase dos jogos, os alunos aplicam a criatividade. Os jogos são especialmente desenhados para ajudá-los a explorar e a analisar padrões matemáticos de forma tranquila e instigante com os colegas.

Por fim, na fase investigativa, os estudantes atingem outro nível de conhecimento. Eles são desafiados e precisam se esforçar bastante – o que são coisas fundamentais à aprendizagem.

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O livro apresenta novas atividades para os professores aplicarem no ensino fundamental. Qual é a importância dessas atividades no processo de aprendizagem? É que elas dão a estrutura para alunos e professores explorarem e aprenderem matemática.

Os materiais tradicionais de matemática focam em expor métodos e fazer os alunos os aplicarem repetidamente, muitas vezes, sem nem os entender. Em oposição a isso, as atividades de pensamento matemático deste livro oferecem tarefas, jogos e charadas que estimulam os estudantes a desenvolver seus próprios métodos, discussões e soluções.

Nas salas de aula que utilizam essas atividades, vemos muitos alunos discutindo sobre matemática, trocando ideias sobre o assunto e representando essas ideias de diversas formas. As escolas estão adotando esses livros e fazendo um planejamento conjunto de como os usarão ao longo do ano escolar.

Leia mais: Webinar: o que os alunos querem (e precisam) aprender em matemática

Qual a dica que você dá aos professores de matemática? [Organização]. Os professores nunca têm tempo suficiente para fazer o que gostariam com os minutos ou horas que têm de aula. Grande parte do tempo de aula é perdido por conta da falta de interesse dos alunos, da falta de atenção, do estresse por terem que memorizar fatos desconexos e do tempo que o professor perde reexplicando a matéria, entre outras razões.

Os professores têm mais tempo quando organizam o ano letivo com base em grandes ideias e na certeza de que cada ideia será ensinada por meio de atividades profundamente enriquecedoras.

Quando o currículo é dividido em ideias desconexas, o professor alimenta a ineficiência.

É um grande benefício ajudar os alunos a aprenderem de verdade, a conectarem ideias e as explicarem, porque isso economiza tempo ao longo do ano. Tarefas complexas, como as que estão no novo livro, incluem conceitos-chave para alunos que estão aprendendo muitos tópicos importantes e interconectados.

Leia mais: Como os professores aprendem as competências que precisam ensinar

Como os professores podem valorizar os erros no ensino da matemática, dentro de uma cultura de testes e avaliação durante o ano letivo? Nos Estados Unidos (e acho que no Brasil é a mesma coisa) é dada uma ênfase extrema aos testes e às avaliações de todas as séries, todos os anos. Por muito tempo temos observado esse sistema diminuir a qualidade do ensino e da aprendizagem.

As provas fornecem informações limitadas tanto para a escola quanto para o aluno, assim como não o ajuda a melhorar. Nós recomendamos os melhores métodos para o aprendizado de matemática, que reforcem o que os alunos já sabem, o que ainda precisam aprender e como chegar lá. Isso só é possível quando se recebe do professor um parecer bem elaborado, não notas.

Qual é a importância e o impacto da formação continuada para os professores nessa área? A matemática que é apresentada no livro é diferente da matemática que os professores aprenderam quando estavam na escola.

Na verdade, descobrimos que muitos professores têm traumas de quando aprenderam matemática na escola, porque experimentaram medo, ansiedade e o sentimento de não conseguir aprender matemática.

Mas graças aos novos conhecimentos sobre o ensino de matemática, à psicologia e à neurociência, agora temos uma aproximação coerente para a forma como a matemática pode ser realmente entendida.

Para encerrar: qual é o papel de um governo no ensino das habilidades matemáticas? O governo deveria reconhecer o papel crítico que a lógica matemática tem no século 21 e apoiar seus cidadãos a desenvolverem uma alfabetização numérica.

Leia mais: A plataforma que disponibiliza conteúdo de matemática gratuitamente

Redação Pátio
A redação da Pátio – Revista Pedagógica é formada por jornalistas do portal Desafios da Educação e educadores das áreas de ensino infantil, fundamental e médio.

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