Capacitação Docente

Orientações ao corpo docente incluem conselhos dos estudantes

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3720174796_7f917c2408_bComo diretora do centro de apoio do corpo docente, uma de minhas responsabilidades é coordenar um programa de orientação para novos professores. Anos atrás, optamos por descontinuar o formato tradicional de sessões de orientação onde apenas o orientador falava incessantemente. Agora, tentamos fornecer sessões interativas que apresentam nossas políticas e cultura dentro do campus para os novos colegas. Embora a transição da maioria dos tópicos para o formato interativo tenha sido fácil, a sessão sobre o programa do curso  se manteve relativamente “seca” – até este ano.

Na maioria dos campus há uma série de declarações políticas necessárias que devem ser incluídas em todos os planos de estudos (por exemplo, acomodações para deficientes físicos, certas políticas de e-mail, política de  plágio e normas de sala de aula). Todos esses requisitos, enquanto necessários, apoiam o tradicional “contrato” de um programa de estudos da disciplina. Para dar um toque personalizado ao currículo da matéria, nossa nova sessão de orientação do corpo docente apresenta o conteúdo de um vídeo chamado “Vozes dos Estudantes”.

O vídeo, criado por um de nossos estagiários, oferece uma visualização de expectativas dos alunos por meio de respostas a uma variedade de questões, tais como “Qual palavra descreve a característica mais importante de um professor? Quem é seu professor favorito e por quê? Qual conselho você daria para uma nova professora?” Os exemplos de respostas dos alunos são apresentados a seguir.

Quando pedimos para os alunos escolherem uma palavra que descreva um grande professor,  as respostas foram:

  • Honesto
  • Disponível
  • Entusiasmado
  • Compreensível
  • Amigáveis
  • Cativante
  • Enérgico
  • Preocupado
  • Divertido 

Quando perguntados sobre as razões de um professor ser o favorito, os alunos citaram:

  • Motiva os alunos a cada reunião de classe através de vídeos, leituras, convidados, etc;
  • Propõe discussões após palestras;
  • Sempre faz palestras agradáveis para entreter a classe;
  • É simples;
  • Conecta o que estamos aprendendo com o mundo real;
  • Está disponível para ajudar fora da sala de aula;
  • Trata cada aluno como uma pessoa, não um número;
  • Leva os interesses pessoais dos estudantes além da sala de aula;
  • Fornece dicas de estudo e ajuda os alunos quando precisam;
  • Fornece feedbacks detalhados;
  • Usa tarefas desafiadoras para estimular os alunos para além da sua zona de conforto;
  • Acredita nos estudantes e os ajuda a ter sucesso; 

Os alunos, então, deram alguns conselhos sobre como se tornar o professor de favorito de alguém:

  • Use exemplos do mundo real em sala de aula;
  • Mostre aos alunos que você os valoriza como pessoas;
  • Reconhecer e praticar diferentes estilos de aprendizagem;
  • Divida sua história pessoal com os alunos;
  • Obtenha feedback dos alunos;
  • Esteja disponível;
  • Ajude os estudantes com dificuldades;
  • Se relacione: os alunos quem se conectar com os professores de alguma forma;
  • Mantenha uma comunicação aberta;
  • Separe algumas horas para você ensinar online;

Faça o que você diz e diga o que você faz!
Ouvir as respostas dos alunos a essas questões nos dá muitas dicas e ideias a respeito de diversos aspectos do programa da disciplina, como quantidade de horas de aulas presenciais, requisitos da matéria,  engajamento dos estudantes e a relação aluno-professor; todos esses aspectos são abordados atualmente durante a orientação para novos docentes.

Assim, continuamos a conversa afirmando: “Agora que você já ouviu as expectativas dos alunos, vamos falar sobre como você vai atingi-las, bem como comunicar as suas!” A discussão é animada (e muitas vezes divertida) quando o corpo docente replica alguns dos comentários dos alunos. Alguns até sugeriram que fosse produzido um vídeo chamado “Vozes dos Professores” e compartilhado na orientação aos estudantes! O que costumava ser uma sessão de leitura dos requisitos é agora mais uma discussão aberta sobre formas criativas de comunicar as expectativas e se envolver com os alunos. Aqui, algumas das ideias que surgiram durante uma discussão recente:

  • Use o primeiro dia de aula para informar as expectativas. O uso de uma atividade “quebra-gelo” baseada em conteúdo, em que cada aluno tem de falar, passa a mensagem de que os estudantes deverão contribuir em todas as aulas e que elas serão ricas em conteúdo; 
  • Use o primeiro dia de aula também para informar as consequências. Um colega descreveu uma atividade onde um aluno é escolhido para sair da sala e, em seguida, questionado a contribuir para a discussão imediatamente ao retornar à sala de aula. Claro, o aluno não tem nenhuma pista sobre o que tinha sido dito, o que serve como uma poderosa forma de demonstrar a importância da presença e do impacto das aulas perdidas; 
  • Crie um vídeo curto ou um podcast e poste no site do curso no sistema de gestão de aprendizagem (Blackboard, Moodle, etc.);
  • Peça a um aluno bem-sucedido do semestre anterior para compartilhar dicas sobre o que esperar e como ter sucesso; isto pode ser feito por e-mail, vídeo ou uma fala presencial; 
  • Lidere uma discussão aberta sobre o primeiro dia de aula para dar aos alunos uma “base” de determinados itens programáticos; 

Repercussões de “não fazer o que você diz” e não seguir as orientações do curso também alimentam a discussão estão pontos decisivos durante o alinhamento do programa da disciplina. Alguns pontos negativos que podem ocorrer caso o professor não cumpra seu papel com a turma:

  • Perda de respeito dos alunos;
  • Mau atendimento;
  • Aluno desestimulados;
  • Mau desempenho dos estudantes;
  • Feedback “pobre” ao final do curso;
  • Queixas de estudantes que cheguem ao chefe de departamento e administração superior;
  • Avaliações anuais pouco esclarecedoras por parte dos colegas e/ou do chefe de departamento;
  • Desenvolver uma reputação negativa, ocasionando na falta de interesse dos alunos em sua aula;

Utilizar o vídeo “Vozes dos Estudantes” em nossos programas de orientação do corpo docente tem sido um grande sucesso. Ele provocou discussões ricas e ajudou a recuperar o interesse dos professores  na criação de programas de disciplinas. Agora, o desenvolvimento desses programas é visto muito mais como uma oportunidade, ao invés de uma exigência.

Texto originalmente escrito por Tena Long Golding, PhD.

Tena Golding é membro do corpo docente no ensino superior há mais de 30 anos e uma desenvolvedora em mais de 18 destes anos. Atualmente é professora de matemática e diretora do Centro de Excelência da Southeastern Louisiana University.

Fonte: Faculy Focus

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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