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Realidade virtual acelera aprendizagem em sala de aula

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Como as ferramentas de realidade virtual tornam a atividade escolar mais inclusiva e eficiente. Crédito: Google.

Imagine levar um estudante de Ensino Fundamental ou Médio para o fundo de um oceano durante a aula de ciências. Ou colocar alunos de Medicina para tomar decisões complexas, na prática, dentro de um hospital. Com ferramentas e plataformas de realidade virtual (VR, na sigla em inglês), esse cenário é totalmente possível.

Os recursos de realidade virtual existem há décadas, mas ganharam força a partir de 2016 em áreas da indústria, da mobilidade e da educação. Isso porque, ao inserir o usuário em um ambiente virtual, seja ele filmado ou produzido em computador, a sensação é semelhante a de estar de fato no local.

Os aparelhos necessários à realidade virtual são basicamente um console – celular, computador ou outro dispositivo – e um óculos especial, que disponibiliza uma pequena tela campo de visão.

Assim, de uma hora para outra, o aluno pode se deslocar de um centro urbano até o sistema solar. Lá, pode acessar imagens extras, cards e outros conteúdos interativos com informações pedagógicas sobre o assunto proposto pelo professor.

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As simulações são bastante fiéis aos principais sentidos do ser humano: espacial, visual, auditivo e tátil.

Especialmente em cursos de nível superior, outro atrativo da realidade virtual é a possibilidade de interação: um aluno de Engenharia em um polo petroquímico virtual pode observar o ambiente em 360 graus, caminhar, apertar botões, puxar alavancas, entre outras atividades.

O propósito da realidade virtual é aprender teoria e prática ao mesmo tempo. “Não vamos mais formar na teoria para ter contato com a prática depois. A realidade virtual potencializa o ensino de uma maneira que até então não tinha contato”, diz Igor Sales, diretor da Imersys, empresa especializada no desenvolvimento de conteúdo de realidade virtual.

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Tecnologia para todos

Com os notáveis benefícios da realidade virtual para a educação, uma questão se impõe: como universalizar seu acesso? Afinal, uma revolução tecnológica desse porte nas instituições privadas poderia criar um abismo com as instituições públicas.

A boa notícia é que a realidade virtual está cada vez mais mais barata e acessível. O Google Expedições, por exemplo, é um aplicativo que se propõe a levar a experiência até escolas municipais e estaduais nos rincões do país. Basta baixa-lo em um dispositivo móvel, e o sistema disponibiliza mais de 900 tours em realidade virtual.

Instigada com a possibilidade de levar seus alunos para um passeio no Monte Everest ou para um tour no Museu do Louvre, em Paris, a professora Joedna Sabino de Souza, da escola Liliosa Paiva Leite, em João Pessoa, na Paraíba, aplicou o projeto com 25 alunos do segundo ano do Ensino Médio.

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Aluna de escola estadual da Paraíba utiliza ferramentas de realidade virtual. Crédito: divulgação.

Foram 15 aulas utilizando ferramentas de realidade virtual. Como o Google fornece um molde para os óculos de papelão, cinco delas foram dedicadas à confecção do material, o que foi feito pelos próprios alunos. Isso abriu a oportunidade de trabalhar lições de matemática e reciclagem, envolvendo diversos professores em uma abordagem multidisciplinar.

Com os óculos prontos, eles tiveram aulas em espaços urbanos e, inclusive, em outros planetas. “O mais interessante é o formato de manipulação da informação. Nesse espaço, o aluno pode pode observar e interagir com diversas situações enquanto o professor simula o processo dimensional”, destacou Joedna ao portal Desafios da Educação.

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Professor é guia

Joedna encontrou o Google Expedições e o implantou em sala de aula por vontade própria. Casos como esse mostram como utilizar a realidade virtual pode partir de iniciativas individuais, ainda que seja importante que a aplicação de tecnologias na educação seja uma política das instituições de ensino e do poder público.

As ferramentas de VR também precisam estar alinhadas ao planejamento pedagógico para que seu uso não seja meramente recreativo.

Para Sales, da Imersys, há uma lacuna a ser preenchida para a consolidação da realidade virtual. Trata-se da distância entre os engenheiros desenvolvedores dos ambientes virtuais (que entendem da tecnologia) e o corpo pedagógico (que entende de ensino).

Um bom exemplo de aproximação são as universidades Stanford e Oxford, que possuem seus próprios centros de desenvolvimento. Um primeiro passo nesse sentido, no Brasil, é colocar coordenadores e professores em contato mais frequente com o salto de recursos que a realidade virtual pode dar à educação.

Em seguida, a tendência é que eles se tornam produtores de conteúdo para as plataformas de VR. “Precisamos juntar essas pontas e, a partir daí, não vai mais ter retorno. Não vamos nem conseguir explicar como dávamos aulas sem os recursos de realidade expandida”, diz Sales.

*Com reportagem de Luiz Eduardo Kochhann. 

Confira a série Tecnologias para a educação

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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