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O uso da tecnologia na educação. E o cenário para 2021

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O texto abaixo faz parte do especial “Tendências para a educação em 2021“, publicado pelo portal Desafios da Educação. No artigo, Fernanda Furuno cita diversas pesquisas para avaliar o uso da tecnologia na educação, como ensino híbrido, realidade aumentada e metodologias ativas, e o cenário para 2021.


Chegamos ao fim de 2020. Que ano atípico! As colunas que escrevi neste espaço, sobretudo após o início da pandemia, tentaram jogar luz aos novos desafios do setor e, principalmente, inspirar os educadores. Falei de projetos integradores no ensino superior, o valor da empatia na educação digital e até sobre como encontrar trabalho no setor educacional.

Neste último artigo, publicado no especial Tendências para a educação em 2021, compartilho minhas perspectivas para o ensino online no próximo ano. Você também pode conferir o que me disse o professor Fredric Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), e a professora Maria Inês Fini, presidente da Associação Nacional de Educação Básica Híbrida (Anebhi).

Estudos confirmam tendências

O uso da tecnologia na educação deve continuar crescendo em 2021. Crédito: Pexels.

O uso da tecnologia na educação deve continuar crescendo em 2021. Crédito: Pexels.

A consultoria McKinsey divulgou no início de 2020 um relatório que apresentou as principais tendências e oportunidades para o mercado educacional do Brasil, de forma a atender um “gap” do Ensino Superior. Eram elas:

Mesmo que tenham sido divulgadas antes da pandemia, essas tendências de fato se concretizaram. Além disso, a educação foi um dos principais focos de debate: percebemos o abismo que separa os ensinos público e privado e o quanto nosso modelo educacional precisa de atenção.

Nesse cenário, identificar tendências para a educação em 2021 no Brasil é uma tarefa bastante desafiadora – sobretudo enquanto houver indefinição sobre as vacinas e retorno total às aulas presenciais. Mas vale a pena conferir o que mostram alguns estudos.

De acordo com uma pesquisa global do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos), realizada com 350 executivos do Brasil, China, Estados Unidos, Índia e Reino Unido, Inteligência artificial (IA), machine learning, 5G e internet das coisas (IoT) serão as principais tecnologias de 2021.

Leia mais: Machine learning, IA, big data: novas tecnologias dão impulso à aprendizagem

Se consideradas apenas as respostas brasileiras, as principais tecnologias no ano que vem são:

Ainda sobre as respostas dos Chief Information Officers (CIOs) e Chief Technology Officers (CTOs) brasileiros que responderam a pesquisa:

  • 86% trabalhariam lado a lado com um robô, sendo 38% a favor de robôs para a exploração científica e 16% dos para o uso de robôs em cuidados hospitalares;
  • 40% afirmam que a adoção a tecnologia 5G acelerou devido à pandemia e, para 26%, será uma das principais tecnologias em 2021;
  • 36% dizem que os serviços de entretenimento serão os mais impactados pela tecnologia em 2021;
  • 34% acreditam que os serviços financeiros serão mais impactados pela tecnologia em 2021;
  • 24% afirmam que a educação será mais impactada pela tecnologia em 2021;
  • 20% acreditam que a videoconferência foi a tecnologia mais importante em 2020.

A pesquisa global também mostra que manufatura (19%), saúde (18%), serviços financeiros (15%) e educação (13%) deverão ser os setores mais impactados pelas tecnologias em 2021, informou o site Olhar Digital.

Leia mais: As mudanças nas IES induzidas pela pandemia

O que mais vem por aí

Durante este ano, tive oportunidade de entrevistar inúmeros gestores educacionais. A partir desse material, consegui identificar algumas tendências para 2021:

  • Ensino híbrido institucionalizado, tanto na modalidade presencial quanto EAD: a experiência do ensino remoto trouxe várias reflexões sobre o modo de ensinar e aprender para a academia, pais e alunos.
  • O investimento em tecnologia educacional se tornou uma necessidade nas instituições de ensino. Nunca se falou tanto em transformação digital no setor, isso sem deixar de lado a educação inclusiva.
  • Necessidade de formação contínua de professores para o desenvolvimento de habilidades necessárias para adaptação aos mais diversos contextos educacionais, tendo o aluno como foco do processo e o desenvolvimento de habilidades sócio emocionais.
  • Cada vez mais teoria e prática andarão juntos no processo de ensino e aprendizagem, com o uso da metodologia baseada em projetos para a construção de soluções pragmáticas que beneficiem a sociedade devem ser mais adotadas, ainda mais com a curricularização da extensão, projetos integradores no Ensino Superior e os itinerários formativos do Ensino Médio, proporcionados pela flexibilidade curricular.
  • Inteligência artificial e de dados, além da realidade virtual e aumentada serão cada vez mais adotados para otimizar processos e atividades repetitivas também na área da educação, proporcionando análises e experiências cada vez mais realistas.

Eu também perguntei para o Gustavo Hoffmann o que ele pensa sobre tendências – concordamos em vários pontos. Você pode ler o artigo que ele escreveu para este especial, ou conferir esse resumo que ele fez pra mim.

“Por mais que haja muita incerteza em relação o futuro, é muito provável que nosso modelo educacional caminhe a passos largos em direção a um modelo que muito provavelmente estará baseado nos seguintes pilares:

  • Less teaching, more learning. Menos aulas expositivas, mais experimentação.
    Ensino híbrido e aprendizagem invertida.
  • Ensino remoto (que, provavelmente, continuará em algum grau) menos instrucional e mais hands on.
  • Mais tecnologia aportada no processo educacional como meio catalizador do processo. Como meio e não como fim.
  • Currículos mais aderentes às demandas do mundo real, baseados em competências e não em conteúdos. Projetos integradores como elemento de aproximação entre academia e setor produtivo.
  • Novos processos de avaliação. Avaliar o desenvolvimento de competências ao longo do processo parece fazer mais sentido do que atribuir uma nota em uma prova.”

Cabe agora aguardarmos 2021 e vivenciar a concretização dessas tendência. Acha exagero? Depois de todas as (r)evoluções que ocorreram em 2020, nada será impossível.

Confira o especial “Tendências para a educação em 2021” 

Leia outras reportagens especiais do Desafios da Educação.

Fernanda Furuno
Fernanda Furuno é cofundadora do Guia EAD Brasil, membro do conselho de inovação da Abed, do conselho da diretoria institucional da Anebhi e do conselho editorial do portal Desafios da Educação. Você pode falar com ela em @fernandafuruno.

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