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O ritual de avaliação externa das instituições de ensino superior (IES) tem um roteiro previsível: confirmada a data da visita da comissão de avaliadores, mobilizam-se as forças-tarefas para organizar documentos, ajustar instalações e preencher formulários. Entretanto, com a reformulação dos instrumentos de avaliação promovida pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), essa postura reativa vai se tornar obsoleta em breve.
O novo paradigma regulatório estabelece uma lógica contínua de acompanhamento, que conecta diretamente a avaliação in loco (ou virtual), a autoavaliação conduzida pela Comissão Permanente de Avaliação (CPA) e os resultados de desempenho de estudantes em exames como o Enade. Assim, a regulação do ensino superior passa a funcionar em um ciclo permanente de melhoria, estruturado em quatro etapas: monitoramento, diagnóstico, devolutiva e plano de ação.
A Comissão Permanente de Avaliação (CPA) assume o papel de liderança estratégica. Afinal, as avaliações internas e os diagnósticos contínuos da CPA são peças-chave para consolidar as evidências exigidas pelo Inep.
Segundo o professor Carlos Longo, as instituições devem olhar para suas origens, retomando o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). Na sua opinião, esse movimento deve valorizar a CPA, o corpo docente e o corpo discente.
Ao integrar a autoavaliação à rotina institucional, a IES não é mais pega de surpresa. “Na prática, acaba a preparação para as visitas e o preenchimento de formulários. Agora, o processo é sobre caracterização de evidências”, afirma Longo. “O novo modelo de avaliação reconhece muito mais o trabalho da instituição no dia a dia. E, trabalhando dessa forma, ela vai conseguir provar suas evidências.”
A transição de uma postura reativa para um modelo contínuo exige a reorganização de processos acadêmicos e administrativos:
O professor Carlos Longo ressalta que essa perspectiva altera a visão da regulação: "Os novos instrumentos de avaliação vão fazer com que as instituições olhem para a regulação como uma questão estratégica, de como desenvolver a IES em função das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e dos relatórios da CPA", afirma.
A implementação do novo instrumento de avaliação exigirá um período de adaptação, tanto para o Inep e seus avaliadores quanto para as equipes gestoras das instituições. Contudo, a migração para a avaliação contínua promete qualificar a oferta do ensino superior e dar maior transparência aos processos.
“Os anos de 2027 e 2028 serão de aprendizado profundo para consolidar esses instrumentos”, completa Longo.
Em junho, o Inep abriu uma consulta pública para receber contribuições à proposta do novo instrumento de avaliação. Em seguida, foi realizada uma revisão e testes do processo. A expectativa é que as mudanças na regulação do ensino superior sejam homologadas até o final de outubro.
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