Quais são os cursos superiores mais procurados no Brasil hoje — e por que eles despertam tanto interesse

Redação • 27 de abril de 2026

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    Uma das leituras trazidas pela 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil é a de que o segmento continua crescendo, mas de forma concentrada. Em 2024, o País ultrapassou 10 milhões de alunos matriculados em instituições de ensino superior (IES) — um avanço de 2,5%, puxado pela rede privada. 

     

    O dado mais relevante, porém, está na distribuição das vagas. O levantamento do Instituto Semesp com os cursos mais procurados mostra que uma parcela considerável das matrículas se restringe a um número reduzido de graduações. Essa concentração é impulsionada por três fatores que atuam de forma simultânea: custo, perfil do estudante e empregabilidade

     

    A seguir, o portal Desafios da Educação aponta os principais destaques na lista, tanto na educação a distância (EaD) quanto no ensino presencial, e busca entender o que impulsiona essa tendência. 

     

    Leia também: Mapa do Ensino Superior 2026 indica queda no crescimento da EaD e ascensão dos centros universitários 

     

    Um topo conhecido (e previsível) 


    No ensino presencial, o topo do ranking segue relativamente estável, ancorado em formações tradicionais. Entre os cursos com mais matrículas, aparecem: 


    • Direito 
    • Psicologia 
    • Enfermagem 
    • Medicina 
    • Administração 
    • Odontologia 


    Já na educação a distância, o padrão muda — e se torna mais concentrado: 


    • Pedagogia 
    • Administração 
    • Recursos Humanos 
    • Logística 
    • Ciências Contábeis 
    • Sistemas de Informação 


    Nas tabelas abaixo, é possível observar essa divisão de forma mais clara. 

    A diferença entre os dois grupos é evidente: o presencial ainda abriga cursos com maior exigência de infraestrutura e dedicação integral, enquanto a EaD concentra formações flexíveis, tanto do ponto de vista pedagógico quanto financeiro. 


    Isso ocorre porque cursos da área da Saúde e algumas Engenharias exigem carga horária prática, laboratórios e atividades presenciais obrigatórias, o que limita sua expansão no formato a distância. Já formações ligadas a Gestão (e seus diversos segmentos), Educação e serviços administrativos conseguem ser padronizadas com maior facilidade, reduzindo custos e permitindo escala. 


    Esse padrão é confirmado quando se observa o sistema por áreas. O maior contingente de estudantes está concentrado no bloco Negócios, Administração e Direito, que responde por cerca de um terço (34,5%) das matrículas. Na sequência, aparecem Saúde e Bem-estarEducaçãoComputação Tecnologia da informação e Comunicação (TIC).


    São áreas que combinam alta oferta, mensalidades acessíveis e uma percepção consistente de empregabilidade — ou seja, de que há boas chances de conseguir e manter um emprego ao longo do tempo. 


    O custo como filtro 


    O recorte indica que os estudantes estão mais pragmáticos, especialmente quando se trata de ingressar em uma IES privada. Além de vocação e interesse pelo curso, eles levam em consideração o que é possível pagar


    Cursos como o de Medicina continuam entre os mais desejados, mas registram crescimento moderado no número de matrículas justamente por ter mensalidades elevadas. Na outra ponta, graduações em Administração e Pedagogia operam com maior capilaridade, por serem acessíveis e compatíveis com diferentes rotinas. 


    Um fator preponderante: empregabilidade 


    A partir do primeiro filtro (viabilidade financeira), a decisão é guiada por outro fator: a empregabilidade percebida pelos estudantes. Por muito tempo, cursos da área da Saúde, como Enfermagem e Psicologia, cresceram sustentados pela perspectiva de uma carreira estável, em razão da demanda contínua. 


    Mais recentemente, as graduações de Computação e TIC passaram a ocupar esse posto. Entre 2023 e 2024, elas registraram crescimento de 9,2% no presencial e 12,5% na EaD. 


    Entre os cursos tradicionais, Direito segue bastante procurado justamente por isso. Mesmo diante de sinais de saturação — o Brasil possui o maior número de advogados per capita do mundo —, o peso simbólico da carreira jurídica fala mais alto, assim como as chances de conquistar estabilidade no setor público. 


    A mudança de perfil do estudante 


    O crescimento recente do ensino superior foi puxado por um público diferente. Na educação a distância, a maioria dos alunos (73,9%) tem mais de 25 anos. São pessoas que trabalham, têm responsabilidades familiares e buscam formação como estratégia de inserção ou permanência no mercado


    Estudantes com esse perfil tendem a focar em cursos com aplicação direta e de maior flexibilidade. Isso ajuda a explicar, por exemplo, a presença de muitos cursos de Gestão entre os mais procurados na EaD. 


    EaD: expansão concentrada 


    Na última década, a educação a distância ampliou o acesso ao ensino superior. Hoje, mais da metade dos estudantes está matriculada na modalidade, que cresce apoiada em formações com menor necessidade de infraestrutura e maior padronização. 


    Por sua natureza — e por regulação —, o formato não consegue oferecer cursos dependentes de prática presencial, como diversas Engenharias e áreas clínicas da Saúde. O resultado é um sistema assimétrico, em que o presencial é diverso, mas cresce pouco, e a EaD cresce mais, mas se concentra em determinadas áreas


    Além disso, o Mapa chama atenção para um aspecto menos evidente: o de que a oferta não é neutra. Nas IES privadas, especialmente as vinculadas a grandes grupos, a ênfase é em cursos de menor custo operacional, fáceis de escalar e que representam menor risco financeiro. Esse modelo, embora eficiente do ponto de vista de escala, tende a aprofundar a concentração em algumas áreas. 


    O que pode mudar nos próximos anos 


    Cabe destacar que o Mapa do Ensino Superior traz dados de 2024. Portanto, se refere a um período anterior à publicação do novo marco da EaD, ocorrida em maio de 2025, e que impõe limites e critérios mais rígidos para a oferta de cursos a distância. 


    Na prática, as novas regras vão afetar diretamente o modelo que sustentou a expansão recente da EaD. Se hoje a pesquisa reflete um sistema orientado por viabilidade e escala, a tendência daqui para frente é de reconfiguração da oferta, seja com maior equilíbrio entre modalidades, seja com revisão do portfólio de cursos. 


    Uma grande mudança nesse sentido é a ascensão do formato semipresencial (o chamado “ensino híbrido”), impulsionada pelas exigências regulatórias. Nos próximos anos, é provável que a modalidade tenha um impacto significativo na redistribuição das matrículas — e, por consequência, no ranking dos cursos mais procurados no ensino superior brasileiro. 


    Leia mais sobre o tema em: Transição EaD: como planejar a migração de cursos para o modelo semipresencial

    Por Redação

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