Como aplicar metodologias imersivas na educação superior

Thuinie Daros • 24 de abril de 2019

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    Você já ouviu falar de “curva de esquecimento”? É o nome dado por Hermann Ebbinghaus, um psicólogo alemão, ao fenômeno de esquecer-se de aproximadamente 50% das informações recebidas uma hora atrás.

    A constatação é de um estudo do próprio Ebbinghaus. Nele, também se descobriu que 70% dessas mesmas informações são esquecidas em 24 horas. E que 90% do conteúdo é esquecido em um mês.

    O cérebro humano age assim: se não são relembrados ou colocados em prática, os conhecimentos são desmemorizados. Considere isto e reflita sobre a famosa frase atribuída a Albert Einsten: “Aprendizado é aquilo que fica após esquecermos o que nos foi ensinado”.

    Os profissionais da educação se perguntam, então: como gerar maior aprendizagem? Quais metodologias são capazes de fazer com que o estudante não esqueça imediatamente o que está aprendendo? Como colocar em prática os conteúdos relevantes para a formação do estudante?

    As metodologias ativas são excelentes alternativas. Elas são capazes de gerar maior aprendizagem devido à prática de seus princípios, como protagonismo estudantil, trabalho em grupo e resolução de problemas.

    Mas as metodologias ativas não são as únicas possibilidades. Existem outras abordagens capazes de gerar um aprendizado efetivo por meio de processo de verdadeira imersão.

    Metodologias imersivas: tendência

    As metodologias imersivas despontaram na educação. Cada vez mais praticadas, elas crescem a partir do avanço das tecnologias de realidade virtual, de realidade aumentada, simuladores e softwares específicos.

    Esses recursos, associados a uma metodologia de ensino devidamente planejada, provocam uma verdadeira imersão do estudante no contexto da sua profissão sem sair da sala de aula.

    Uma metodologia imersiva, contudo, não se caracteriza tão somente pela tecnologia. Estudo de casos, storytellings aprendizado baseado em desafios e roleplay também são exemplos de metodologias imersivas. Ver-se dentro de uma história ou assumir um papel profissional para resolução de problema proporciona uma experiência empática que gera engajamento e estimula a autonomia do aluno. Ele aprende através da simulação.

    Como as metodologias imersivas são atividades pedagógicas com foco na aprendizagem experiencial e prática do estudante em situações do contexto da profissão, o primeiro passo é colocar o estudante para se deparar com uma situação concreta relacionada ao conhecimento que precisa ser adquirido.

    Os conhecimentos podem ser técnicos, específicos, de novas habilidades ou comportamentais. O foco é levar o estudante a levantar hipóteses de soluções, construindo ou desconstruindo o conhecimento para tomar a melhor decisão.

    Assim, o estudante efetivamente aplica o conhecimento e melhora sua performance — verificada por meio do feedback imediato do professor sobre as consequências das ações tomadas em um ambiente simulado e seguro.

    Como o objetivo das metodologias imersivas está em proporcionar ao estudante uma experiência muito próxima ou real da atuação profissional, o diferencial está na apresentação do conhecimento por meio de uma situação/problema.

    Imagine um estudante observando o sistema esquelético no ar e identificando diferentes partes dele, aplicando um experimento de laboratório e tomando decisões sobre o que fazer e quais recursos utilizar. Tudo isso quantas vezes for necessário para aprender.

    Imersão a partir de desafios

    Os desafios, quando bem planejados, contribuem para mobilizar as competências desejadas –sejam elas intelectuais, emocionais, comportamentais. Uma aprendizagem baseada em desafios também permite:

    • Atrair a atenção dos alunos para o conteúdo

    • Experimentar e “aprender fazendo”

    • Possibilitar aos estudantes praticarem o conhecimento quantas vezes for necessário

    • Promover a atenção focada

    • Ofertar experiências de aprendizagem que estejam ligadas às diferentes formas de aprender dos alunos

    • Planejar de forma personalizada e acompanhar individualmente cada aluno

    • Aproximar a realidade com o cotidiano do aluno.

    A preparação para atuação profissional por meio da educação superior precisa acontecer de forma significativa para o estudante, que deve ser capaz de estabelecer relação entre o que aprende no plano intelectual e as situações reais do cotidiano.

    Sendo assim, as metodologias imersivas são um campo a se explorar. Elas são capazes de desenvolver as competências pessoais e profissionais necessárias para atuação profissional. Feitas em sala de aula, o estudante dificilmente esquecerá o que é ensinado.


    Sobre a autora

    Thuinie Daros é head de metodologias ativas e cursos híbridos da Unicesumar, co-fundadora da Téssera Educação e autora do livro A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo (editora Penso, 2018).

    Por Thuinie Daros

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