Carreira docente no Brasil: o que dizem as pesquisas

Redação • 4 de julho de 2019

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit

Acompanhe

    A série do portal Desafios da Educação, publicada em julho, foca no dia a dia do professor. As reportagens mostram desde caminhos para o desenvolvimento de competências técnicas, socioemocionais e digitais (cada vez mais valorizadas), até novas oportunidades – como o curador de conteúdo.

    No entanto, a carreira docente no Brasil tem muitos gargalos. Desvalorização, baixos salários, capacitação defasada, alto índice de casos de depressão e ansiedade: o panorama não é nada favorável, de acordo com pesquisas e estudos.

    Carreira docente em baixa

    Um levantamento realizado em 2018 pelo Ibope Inteligência em parceria com o Todos Pela Educação mostra que quase metade dos professores brasileiros, 49%, não recomenda a carreira docente.

    Outra pesquisa de 2025, divulgada pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) indica que o Brasil pode ter carência de 235 mil professores de educação básica até 2040.

    São vários motivos para o descrédito, a começar pela graduação: o país ainda não consegue atrair os alunos com melhor desempenho do ensino médio para a licenciatura. Além disso, os cursos não são antenados à realidade – desconsiderando os atuais desafios da profissão.

    Desafios na formação de professores

    Um reflexo desse desprestígio: não é comum aulas de matemática serem ministradas por docentes sem formação na área.

    De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, apenas 48,7% dos professores do 6º ao 9º ano do ensino fundamental tinham formação superior compatível com as disciplinas que lecionaram em 2018. No ensino médio, o valor foi de 56,3%.

    Remuneração

    De acordo com um levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 48 países, os docentes brasileiros recebem remuneração equivalente a US$ 13 mil anuais – US$ 1.164 por mês. Na Dinamarca, país com os melhores salários, os professores chegam a receber US$ 42 mil anuais, o que equivale a US$ 3.570 mensais.

    O levantamento também mostra que os professores brasileiros não têm ganho salarial ao longo dos anos trabalhados. Até mesmo na Hungria, penúltimo colocado, os professores do ensino fundamental iniciam recebendo US$ 14 mil anuais, mas após 15 anos recebem cerca de US$ 20 mil, podendo chegar a US$ 27 mil no auge da carreira.

    “Estamos ficando para trás”, escreve Carolina Tavares, em artigo publicado no Anuário, ao comparar o Brasil a outros países.

    No Chile, por exemplo, existem políticas para atrair os alunos do ensino médio com melhor desempenho, com o estabelecimento de uma nota mínima no “Enem” chileno para ingresso na licenciatura. São políticas que valorizam a carreira docente.

    Outros países da América Latina, como México e Peru, também apostam em políticas de atratividade e de reestruturação semelhantes.

    Violência em sala de aula

    Segundo a pesquisa realizada pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es (ONVE), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), nove a cada dez professores brasileiros  do ensino público, privado, da educação básica ou superior — relatam ter sido perseguidos diretamente ou testemunharam perseguição a um colega de profissão.

    Desvalorização

    O estudo Global Teacher Status Index, realizado pela Varkey Foundation, entrevistou mil pessoas em 35 países para comparar, em termos de valor para a sociedade, o emprego do professor a outras ocupações.

    A China é o mais país que mais valoriza seus educadores. Por lá, a importância do professor é equiparada à dos médicos. Já aqui, em termos de status social, os professores foram comparados aos bibliotecários.

    Fora isso, a pesquisa também avaliou o respeito dos alunos pelos professores. O Brasil foi último colocado: menos de 10% dos entrevistados acreditavam que os alunos respeitavam seus professores.

    Saúde mental

    Por meio da Lei de Acesso à Informação, o SBT e o jornal Agora São Paulo publicaram dois levantamentos que dão dimensão sobre a saúde mental dos professores de São Paulo. E as notícias não são nada boas.

    De acordo com o SBT, 45 professores da rede estadual pedem afastamento do cargo diariamente. As causas mais frequentes são ansiedade e depressão. A rede dispõe de 190 mil professores.

    O jornal Agora, fazendo um recorte municipal, mostrou que na capital paulista o estresse, a depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico estão entre os problemas psiquiátricos que levaram à concessão de 62 licenças, por dia, em média, entre educadores. A rede tem cerca de quase 63 mil educadores.

    Por Redação

    Gostou deste conteúdo? Compartilhe com seus amigos!

     Categorias

    Ensino Superior

    Ensino Básico

    Gestão Educacional

    Inteligência Artificial

    Metodologias de Ensino

    Colunistas

    Olhar do Especialista

    Eventos

    Conteúdo Relacionado