Do semipresencial à IA: webinar da Plataforma A debate os novos desafios do ensino superior

Redação • 10 de agosto de 2026

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    As transformações regulatórias e o avanço da inteligência artificial (IA) vêm redefinindo a forma como as instituições de ensino superior (IES) promovem suas experiências de aprendizagem. A adesão à tecnologia é fato praticamente consumado; o próximo passo, agora, é entender como ela pode ser incorporada às práticas acadêmicas e de gestão.   

     

    Para apoiar lideranças educacionais e professores nesse momento de mudança, a Plataforma A promoveu o webinar “Experiência na prática”, evento exclusivo para parceiros da edtech, em que especialistas do setor conduzem discussões estratégicas para o ensino superior. 

     

    Foram dois encontros, realizados nos dias 5 e 6 de agosto. No primeiro, a discussão girou em torno da estruturação da oferta semipresencial nos cursos de graduação.   

     

    Já o segundo foi pautado pelos impactos da inteligência artificial para estudantes, docentes e gestores. Na ocasião, ocorreu também o lançamento de três ebooks exclusivos com insights, tendências e reflexões sobre o futuro da IA no contexto acadêmico.   

     

    Neste post, o portal Desafios da Educação traz um resumo do que foi discutido em ambos os painéis — e mostra como ter acesso ao conteúdo dos ebooks. 

     

    O protagonismo do semipresencial   


    Mediado pela coordenadora de Negócios da Plataforma A, Raphaela Novaes, o painel “Como estruturar uma oferta semipresencial de graduação” contou com a participação de Carlos Longo, vice-presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) e fundador da Sabre Inovação. Ele falou sobre como um velho conhecido dos educadores — o até então chamado “ensino híbrido” — e seu papel no futuro do ensino superior. 

     

    As novas diretrizes do Ministério da Educação (MEC), consolidadas especialmente pelo marco regulatório da educação a distância (EaD), deram ao formato muito mais do que uma nomenclatura própria. O semipresencial deixou de ser uma simples concessão de teto de carga horária dentro de cursos presenciais para se consolidar como um modelo de oferta próprio e estruturado. 

     

    “A pergunta certa não é ‘quanto posso tirar do presencial?’, e sim ‘o que precisa ser presencial?’”, afirma Longo. “Ser semipresencial não é misturar uma atividade presencial com outra no ambiente virtual; o desafio não é digitalizar o ensino presencial, é redesenhar a experiência de aprendizagem.” 


    Na prática operacional, o grande gargalo das IES reside na gestão dos momentos síncronos e na estrutura dos polos. O novo marco prevê aulas síncronas mediadas com limite rigoroso de até 70 alunos por docente com controle efetivo de frequência, vedando o uso de transmissões gravadas para este fim. Além disso, introduz a figura do mediador pedagógico e exige que as avaliações presenciais nas unidades curriculares com EaD tenham peso majoritário e no mínimo um terço de questões discursivas. 


    Segundo os especialistas, o desenho de um modelo semipresencial eficiente exige reconhecer que o 100% online resolveu a democratização do acesso, mas falhou na permanência — gerando uma taxa de desistência acumulada de 65%, segundo o Censo da Educação Superior. Já o presencial mantém, mas não cabe na vida de quem trabalha. Nesse sentido, o formato surge como uma ponte entre a flexibilidade exigida pelos jovens e o engajamento promovido pelo convívio e pela prática presencial.   

     

    Para evitar falhas de execução, Longo sugeriu que as IES adotem uma jornada estruturada em etapas contínuas:   

     

    • Entender a persona do aluno; 
    • Mobilizar a gestão e infraestrutura; 
    • Planejar pedagogicamente sob as diretrizes do marco; Implementar com capacitação das equipes (professores conteudistas, regentes e mediadores); 
    • Medir constantemente o desempenho acadêmico e institucional. 

    

    Por fim, os educadores trouxeram alguns conselhos para quem está começando a desenhar seus cursos agora.   


    • O semipresencial é modelo, não concessão; deixou de ser teto de carga horária e passou a ser formato de oferta, com regra e prazo próprios; 
    • O aluno já escolheu: a flexibilidade é o presente, não o futuro. O desafio é entregá-la sem perder o estudante na evasão; 
    • O gargalo é operacional. O Projeto Pedagógico de Curso (PPC) sai no papel. Grade, frequência, polo e avaliação é onde a adequação se ganha ou se perde. 


    Ao final da apresentação, Longo fez um pequeno lembrete: “Maio de 2027 não é longe. Quem for redesenhar curso, formar professor e reconfigurar sistema precisa começar agora”. 


    Para assistir ao webinar sobre oferta semipresencial na graduação, basta acessar o vídeo abaixo ou acessar o canal da Plataforma A no YouTube

    Uso de IA nas IES: percepções, desafios e oportunidades 

     

    A IA já faz parte do ambiente educacional, impactando a forma como estudantes aprendem, docentes ensinam e gestores tomam decisões. Porém, se a adoção é cada vez mais ampla, o uso ainda não está institucionalizado na maioria das IES. 

     

    No painel “O uso da Inteligência Artificial nas IES: percepções, desafios e oportunidades”, Raphaela Novaes e Laysla Carvalho, analista de Negócios da Plataforma A, apresentaram os resultados de uma pesquisa realizada pela edtech junto com a consultoria Educa Insights. Ao todo, foram ouvidos 309 participantes 165 estudantes, 90 professores e 54 lideranças acadêmicas e administrativas.   

     

    Os dados revelam um uso expressivo das ferramentas, mas também uma lacuna de diretrizes institucionais, a necessidade de capacitação docente e o desafio de atualizar o modelo avaliativo. Entre os vários questionamentos trazidos pela pesquisa, vale destacar aquele que suscitou todos os outros: como os diferentes protagonistas da educação estão utilizando a IA? O resultado foi surpreendente: 


    • Entre os professores, 93% já aplicam a inteligência artificial no trabalho docente, com 77% apontando a preparação de aulas e materiais como o maior consumo de tempo. Além disso, 32% pagam ferramentas do próprio bolso. 
    • Entre os alunos, apenas 73% dizem utilizar IA no contexto educacional, sendo que 66% já a adotaram em avaliações e 35% tiram dúvidas com a inteligência artificial antes de recorrer ao professor. Outros 34% pedem tutoria 24/7 para apoiar o próprio ritmo. 
    • Entre os gestores, a adesão é maior: 96% dizem usar IA. Porém, apenas 13% percebem a adoção docente como alta, demonstrando o caráter invisível da prática no dia a dia. 


    O professor está usando muito, o gestor não sabe que o professor está usando e o aluno usa, mas com medo. Essas três personas não estão se falando, não estão conectando o que cada uma tem visto e vivenciado em relação à IA”, resumiu Novaes. 


    Essa desconexão evidencia, também, a ausência de políticas institucionais. Apesar do uso consolidado, 85% das IES não contam com diretrizes sobre IA e 32% dos professores relatam que há baixa oferta de formação para a tecnologia.   


    A falta de capacitação docente preocupa, justamente porque é por meio dos professores que os alunos aprenderão a explorar a inteligência artificial com ética, responsabilidade e senso crítico. Usar, os estudantes já usam, mas não admitem mais explicitamente por medo de serem acusados de plágio ou de estarem “colando”.   


    “A questão é: quem vai ensiná-los a utilizar a ferramenta de forma correta? É nesse ponto que o professor precisa entrar em cena, orientando o uso da IA com intencionalidade pedagógica”, diz Laysla Carvalho. 


    A ideia da Plataforma A era lançar um ebook com os principais insights da pesquisa, destacando tendências e trazendo reflexões de especialistas sobre o futuro da IA na educação. No entanto, a riqueza dos dados e das análises reunidas ao longo do trabalho abriu espaço para uma abordagem ainda mais ampla sobre o tema.   

     

    Desse modo, optou-se por dividir o conteúdo em três ebooks. Cada um deles contempla a perspectiva de um público-alvo: estudantes, professores e gestores. O objetivo, segundo Novaes, é ajudar as IES a saírem da dúvida de “como começar”, apresentando um caminho para a adoção efetiva da IA.   

     

    Capacitar não é ensinar a mexer em ChatGPT, Gemini ou Claude — isso, tenho certeza, os educadores já sabem. É pensar em como operar essas ferramentas para redesenhar a experiência de aprendizagem, mediar seu uso crítico e integrar a IA de fato aos objetivos de aprendizagem, evitando um uso raso da tecnologia”, explica. 

     

    Para assistir ao webinar sobre o uso de inteligência artificial nas IES, que ainda teve a participação de José Messias Junior, CEO da Emy Education, basta acessar o vídeo abaixo ou acessar o canal da Plataforma A no YouTube:


    Quer se aprofundar no tema? Para ter acesso às três versões do ebook “O que a IA pode oferecer ao Ensino Superior” - Visão do Gestor, Visão do Docente e Visão do Aluno, com práticas e recomendações de especialistas, basta entrar em contato com a Plataforma A.  

    Por Redação

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