Realidade virtual acelera aprendizagem em sala de aula

Luiz Eduardo Kochhann • 3 de setembro de 2019

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    realidade virtual

    Como as ferramentas de realidade virtual tornam a atividade escolar mais inclusiva e eficiente. Crédito: Google.

    Imagine levar um estudante de Ensino Fundamental ou Médio para o fundo de um oceano durante a aula de ciências. Ou colocar alunos de Medicina para tomar decisões complexas, na prática, dentro de um hospital. Com ferramentas e plataformas de realidade virtual (VR, na sigla em inglês), esse cenário é totalmente possível.

    Os recursos de realidade virtual existem há décadas, mas ganharam força a partir de 2016 em áreas da indústria, da mobilidade e da educação. Isso porque, ao inserir o usuário em um ambiente virtual, seja ele filmado ou produzido em computador, a sensação é semelhante a de estar de fato no local.

    Os aparelhos necessários à realidade virtual são basicamente um console – celular, computador ou outro dispositivo – e um óculos especial, que disponibiliza uma pequena tela campo de visão.

    Assim, de uma hora para outra, o aluno pode se deslocar de um centro urbano até o sistema solar. Lá, pode acessar imagens extras, cards e outros conteúdos interativos com informações pedagógicas sobre o assunto proposto pelo professor.

    As simulações são bastante fiéis aos principais sentidos do ser humano: espacial, visual, auditivo e tátil.

    Especialmente em cursos de nível superior, outro atrativo da realidade virtual é a possibilidade de interação: um aluno de Engenharia em um polo petroquímico virtual pode observar o ambiente em 360 graus, caminhar, apertar botões, puxar alavancas, entre outras atividades.

    O propósito da realidade virtual é aprender teoria e prática ao mesmo tempo. “Não vamos mais formar na teoria para ter contato com a prática depois. A realidade virtual potencializa o ensino de uma maneira que até então não tinha contato”, diz Igor Sales, diretor da Imersys, empresa especializada no desenvolvimento de conteúdo de realidade virtual.

    Tecnologia para todos

    Com os notáveis benefícios da realidade virtual para a educação, uma questão se impõe: como universalizar seu acesso? Afinal, uma revolução tecnológica desse porte nas instituições privadas poderia criar um abismo com as instituições públicas.

    A boa notícia é que a realidade virtual está cada vez mais mais barata e acessível. O Google Expedições , por exemplo, é um aplicativo que se propõe a levar a experiência até escolas municipais e estaduais nos rincões do país. Basta baixa-lo em um dispositivo móvel, e o sistema disponibiliza mais de 900 tours em realidade virtual.

    Instigada com a possibilidade de levar seus alunos para um passeio no Monte Everest ou para um tour no Museu do Louvre, em Paris, a professora Joedna Sabino de Souza, da escola Liliosa Paiva Leite, em João Pessoa, na Paraíba, aplicou o projeto com 25 alunos do segundo ano do Ensino Médio.

    Foram 15 aulas utilizando ferramentas de realidade virtual. Como o Google fornece um molde para os óculos de papelão, cinco delas foram dedicadas à confecção do material, o que foi feito pelos próprios alunos. Isso abriu a oportunidade de trabalhar lições de matemática e reciclagem, envolvendo diversos professores em uma abordagem multidisciplinar.

    Com os óculos prontos, eles tiveram aulas em espaços urbanos e, inclusive, em outros planetas. “O mais interessante é o formato de manipulação da informação. Nesse espaço, o aluno pode pode observar e interagir com diversas situações enquanto o professor simula o processo dimensional”, destacou Joedna ao portal Desafios da Educação .

    Professor é guia

    Joedna encontrou o Google Expedições e o implantou em sala de aula por vontade própria. Casos como esse mostram como utilizar a realidade virtual pode partir de iniciativas individuais, ainda que seja importante que a aplicação de tecnologias na educação seja uma política das instituições de ensino e do poder público.

    As ferramentas de VR também precisam estar alinhadas ao planejamento pedagógico para que seu uso não seja meramente recreativo.

    Para Sales, da Imersys , há uma lacuna a ser preenchida para a consolidação da realidade virtual. Trata-se da distância entre os engenheiros desenvolvedores dos ambientes virtuais (que entendem da tecnologia) e o corpo pedagógico (que entende de ensino).

    Um bom exemplo de aproximação são as universidades Stanford e Oxford, que possuem seus próprios centros de desenvolvimento. Um primeiro passo nesse sentido, no Brasil, é colocar coordenadores e professores em contato mais frequente com o salto de recursos que a realidade virtual pode dar à educação.

    Em seguida, a tendência é que eles se tornam produtores de conteúdo para as plataformas de VR. “Precisamos juntar essas pontas e, a partir daí, não vai mais ter retorno. Não vamos nem conseguir explicar como dávamos aulas sem os recursos de realidade expandida”, diz Sales.  

    Por Luiz Eduardo Kochhann

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